Nos Terreiros do Samba (Parte 2)

Após a fundação em junho de  1995 tivemos seis meses de ajustes para em 96 começar colocar nossos projetos em prática, assim em janeiro deste ano, adentramos no Terreiro (quadra) da Unidos do Peruche para o nosso primeiro e grande desafio que foi a realização do Primeiro Workshop para Mestre Sala Porta Bandeira e Estandarte do Estado de São Paulo. Um trabalho ousado que correu no segundo final de semana  daquele mês de janeiro e contamos com a presença do Mestre Mano Dionísio e sua equipe de trabalho vindos diretamente do Rio de Janeiro, já que na capital do samba seu Projeto Escola Mestre sala e Porta Bandeira  era um sucesso e eles estavam cinco anos na nossa frente. 

Palestras e prática tomaram conta daqueles que já dançavam e muitos outros para aprender com a nova Entidade de dança. O sucesso foi total que nos impulsionou a lutar para termos no carnaval uma tenda  para os Casais se trocarem na área de concentração do Anhembi. Na época Raimundo Pereira (Mercadoria), era Diretor de Carnaval da Anhembi Turismo, não poupou esforços, assim este objetivo foi alcançado e até hoje os Casais contam com um espaço camarim para se prepararem para o desfile oficial e no desfile das campeãs.

As reuniões de diretoria de início eram realizadas na casa de Nena Cazita, depois passamos a realizá-las no espaço cedido pela UESP na administração de Robson de Oliveira na galeria da Av. Brigadeiro Luis Antonio com a Rua Rui Barbosa. Lá ficamos por cinco anos, depois com Ediléia  Santos na Presidência da UNES, nos mudamos para a sede da Entidade na Rua Rui Barbosa  e ali ficamos por mais alguns anos. Hoje, nossas reuniões são feitas na sede da Liga das Escolas de Samba, na Av. Santos Dumont e também extraordinariamente na Matriz do samba a nossa UESP, sempre com a anuência dos Presidentes destas Entidades que nos recebe com carinho e respeito tudo pela nossa representatividade neste quesito importante.

Em Abril de 1996, implantamos um projeto que perdura até os dias de hoje sempre com muito sucesso que é o nosso Curso de Formação Básica e também o de Aperfeiçoamento  para Casais e Estandartes. Estatutariamente, estes cursos devem ser sempre realizados nos Terreiros de Samba (quadra das Escolas) e a primeira que abriu as portas para nós foi a Mocidade Camisa Verde e Branco, na época comandada por Magali dos Santos, que abraçou nosso projeto e ficamos lá por duas temporadas 96 e 97.

A grande dama da nossa dança Dona China, as Laureadas Sonia Moreira, Vivi Martins, Maria Gilsa entre outras davam o tom curricular aos nossos cursos. Assim em 1998 e 1999 estávamos na Morada do Samba, a escola do Limão abraçou a nossa idéia e também firmamos o nosso propósito, já na época engatinhando. Voltaríamos anos mais tarde na Mocidade Alegre agora na administração de Solange Cruz de 2015 a 2018, uma parceria que deu muito certo porque ali o respeito a nossa arte é latente.

Agora com a AMESPBEESP já consolidada e com sua maioridade, os alunos de ontem são os Instrutores de hoje. Vários também assumem cargos diretivos na Entidade como aconteceu com Zelia Oliveira, que chegou tímida em 1996, trilhou os caminhos, venceu etapas se tornado Presidente  por um longo período de 2011 a 2018, provando que a AMESPBEESP é do povo, da dança e daqueles que tem como objetivo a luta para manter a tradição. 

Voltando no tempo, estávamos entrando no século XXI e nós chegamos com nosso curso itinerante no Terreiro da Vai-Vai, que vivia seu apogeu acumulando quatro campeonatos seguidos. Na Bela Vista pudemos dar novos norte aos nossos cursos estamos amadurecendo e tínhamos ao mesmo tempo cursos na capital e em outras cidades do interior, como Santos, Bragança Paulista e palestras e workshop em várias localidades do Estado. Esta correria no início da primeira década do século novo fez com que o nosso amadurecimento fosse rápido, mas sempre focado nos objetivos.

Da Vai-Vai seguimos para a Tucuruvi, escola do Senhor Jamil e desta querida pessoa na vida da nossa Associação a Dona Edna, que acabou sendo nossa madrinha, pelo carinho com que éramos recebidos por esta grande dama da Cantareira. Este carinho rendeu várias idas do nosso Curso na Tucuruvi, entre idas e vindas foi o espaço que mais utilizamos nestes 25 anos de existência. No total sete anos adentramos e permanecemos no solo sagrado da nação Gafanhoto, sempre recebido com  mesmo carinho e entusiasmo pelo Presidente Jamil, esta figura ímpar do nosso samba, para nós um Sambista de Verdade.

Final da  parte 2

Wesley Bj- Diretor

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Redação Sampa