Ricardo Negreiros: Dedicação e perseverança são marcas registradas do coreógrafo

foto: Elson Santos

Em 2020 estreou no grupo especial comandando a comissão de frente da Dragões da Real

Ricardo Negreiros chegou na Dragões em 2016, depois de ter passagem como coreógrafo de alas nas escolas Rosas de Ouro e Camisa Verde.  O caminho para que chegasse na “Caverna do Dragão” foi com uma sugestão de enredo, que acabou agradando a diretoria, a temática falava sobre o ato de presentear, com o título “Surpresa! Adivinha o que eu trouxe pra você?”. Com o seu enredo escolhido para o ano de 2016, ele recebeu um convite para seguir na escola e na ocasião coreografou um grupo de 47 pessoas que vinha junto com a ala das Baianas.

Também no ano 2016 desfilou pela primeira vez no Anhembi como coreógrafo da comissão de frente da Flor de Vila Dalila, Ricardo lembra algumas complicações durante este trabalho, como os figurinos, chuva, entre outros. Mas para ele tudo foi muito bom e agregou em sua bagagem mais experiências, seguiu por mais dois anos na agremiação, em paralelo seguindo com  os projetos  de ala coreografada  na Dragões da Real que foi crescendo a cada carnaval, chegando a um número de quase 150 pessoas.

Em meados de 2017 foi convidado por um amigo da diretoria para coreografar a comissão de frente da Barroca Zona Sul, onde permaneceu nos dois anos seguintes. Ricardo fala da importância do projeto, pois lá em parceria com o carnavalesco Danilo Dantas pode enfim realizar o primeiro projeto iniciado do zero e construído etapa por etapa na criação, onde a escola reproduziu fielmente na avenida seu trabalho, foi um momento de realização e felicidade.

O ano de 2019 marcou sua história como coreografo de comissão de frente da Barroca Zona Sul, com o enredo “Okê Arô”, onde Oxóssi era o orixá libertador sendo trazido por navios negreiros dando continuidade aos cultos no Brasil e a ideia era mostrar que Oxossi estava por trás das pessoas, com o poder de abrir-lhes os olhos. Relata que nos ensaios técnicos conseguia sentir o retorno das pessoas. “Foi marcante e emocionante mexer com as emoções do público nas arquibancadas”.

Encerrando o carnaval 2019 estando ainda em paralelo com os projetos e suporte realizados na Dragões da Real, com a saída do coreógrafo Anderson Rodrigues, recebeu o convite para coreografar a comissão de Frente para o projeto 2020, estreando no grupo especial.

Carnaval 2020

O processo de criação do projeto seguiu por alguns rumos, chegou em três propostas de comissão na ocasião. O então carnavalesco Mauro Quintaes e a diretoria o deram a oportunidade para fazer sugestões diferentes, na qual entre elas acharam que a mais adequada seria trabalhar com uma linha que trouxesse uma referência aos artistas de rua e teatro, daí iniciou-se o ponto de partida. Começavam as pesquisas e os estudos sobre esse universo, foi realizada uma mescla inspirada em dois filmes “Os Trapalhões- Assalte um Banco” e “O Rei do Show”.

A comissão de frente da Dragões da Real foi dividida em dois atos, o primeiro era a chegada desse grupo em uma cidade, onde um rapaz que perambulava pelas ruas percebeu que a vida dele tinha que seguir com aqueles artistas, ele embarca na história deles. Porém, acredita que vai trabalhar como artista, mas na verdade ele é convidado a trabalhar nos bastidores do grupo, mas se identificam com ele, percebem que ele tem potencial e o convidam para uma apresentação

Já no segundo ato é o momento onde esse homem é convidado para contracenar, os artistas entram nos camarins para se trocarem e nessa troca bem rápida é onde mudam-se o elenco os personagens inspirados em circo saem e vão se apresentar com ele. Entre os personagens tem o leão, a mulher barbada, o homem bala, o homem mais forte do mundo, entre outros.

Negreiros relembra o quanto foi incrível construir cada um desses personagens, respeitando a característica de cada um e inserir a dança com uma ligação entre eles. Além do processo de criação, teve a questão dos figurinos em que sua referência foi inspirada de um circo vintage, de um grupo de teatro europeu e dos filmes de seus estudos. O coreógrafo fala sobre a confiança da escola no projeto, pois foi um processo delicado, mas por já conhecerem sua perseverança e dedicação nos trabalhos já realizados na escola com as alas coreografadas, facilitou bastante o todo.

A preparação para o carnaval 2020 começou bem cedo, a audição foi realizada em meados de maio de 2019 e foi uma das primeiras comissões a formarem elenco. Os ensaios específicos começaram no mês de junho, pois procurou antecipar para diminuir a carga próximo aos dias que antecederiam ao desfile. Mesmo assim tinham em média três ensaios semanais, para limpar bastante a coreografia e se adaptar as mudanças no regulamento do quesito.

Enfatiza que todos os personagens foram importantes, cada um com sua particularidade, mas o que mais chamou a atenção do público era o mesmo que mais lhe causava medo. Representado pelo componente Carlos o “Leão” causou um certo receio de receber críticas, por colocar um animal de circo, pois já são proibidos há anos, mas felizmente a reação foi bem positiva, conseguiu trazer um aspecto bem divertido na avenida.

Em conversa com Carlos ele fala sobre as dificuldades em construir o personagem,  relata que o primeiro obstáculo que o grupo e também o coreógrafo enfrentaram foi escolher quem do elenco faria o “rei da selva”, pois todos ficaram meio receosos por conta do figurino e da interpretação. Foi decidido que Carlos faria, sua timidez foi superada durante o processo e conseguiu levar para a avenida alegria e irreverencia que chamou a atenção do público.

Já a componente Mayara que representava a mulher barbada, teve um pouco mais de dificuldades na construção da sua personagem, pois seu vestido era bem grande e a barba dificultou suas expressões faciais, usando então a corporal para realizar sua performance. Ricardo optou por colocar cada um de um lado do carro por conta do impacto que causariam nas arquibancadas.

A comissão de frente da Dragões da Real realizou seu desfile maravilhosamente conforme o planejado, esbanjando alegria e contagiando o público exatamente como Ricardo Negreiros gosta, sendo consolidada com a nota máxima contemplando o trabalho árduo, mas gratificante para todos os envolvidos.

Alessandra Amorim