1954 – Deu praia no carnaval de São Paulo

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Para começar diferente minha coluna dessa semana, vou aqui introduzir uma parte de uma letra de música e, após, fazer uma pergunta:

“Eu quero ver, você chegar 
Irmanando a multidão
vem pra firmar, Brasileirar
Brasil é raça é tradição (eu quero ver)”

Você reconhece esse trecho, cantado ao som da “Bateria Feitiço Brasileiro”?

Bem, se está acessando essa página por um celular DDD 11, de São Paulo capital e região metropolitana, talvez possa não identificar, mas se o DDD 13 for, da nossa querida Baixada Santista, certamente reconheceu o hino do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Brasil, ou apenas Brasil de Santos como é conhecida.

Fundada no dia 31 de março de 1949 pela portuguesa Carminda de Jesus, a escola santista é a 2º mais antiga da região, com 71 anos, mais nova tão somente que a X-9 (Pioneira), que é do ano de 1944. A agremiação do bairro da Aparecida, zona leste, colorida com as 04 paletas da bandeira brasileira, possui o título de “Campeoníssima”, alcunha conquistada após conseguir um impressionante octacampeonato, entre os anos de 1956-1963, feito esse que nem as grandes vitoriosas Portela, Vai-Vai e sua conterrânea X-9 alcançaram. 

Feita a apresentação da escola, vamos pegar a máquina do tempo e voltar para a década de 1950, para falar um pouco sobre a história e o título, tanto o da coluna quanto o troféu.

Apesar da regularização do carnaval de São Paulo datar somente no final da década de 1960, pelo então prefeito Faria Lima, as competições entre o cordões, blocos e escolas já ocorriam desde os anos 30. Entretanto, para mensuração, considera-se o ano de 1950 como primeiro carnaval disputado, organizado pelas associações comerciais e rádios da época, vencido pela Lavapés (atual Lavapés Pirata Negro). Esse modelo permaneceu até 1967, quando, no ano seguinte, a Federação das Escolas de Samba da Cidade de São Paulo, coordenou na cidade o primeiro desfile com o título de oficial, vencido pela Nenê de Vila Matilde.

Descendo a Serra do Mar, já em Santos, a primeira disputa entre agremiações somente ocorreu em 1947, na Rua General Câmara, evento organizado por jornais, emissoras de rádios e cronistas carnavalescos, com o apoio dos comerciantes do centro da cidade. Sucesso na região, as festividades foram crescendo e ganhando mais destaque ano após ano, quando em 1954, com colaboração da prefeitura, aconteceu a pioneira competição. extra-oficial, realizado na praia do Gonzaga. O concurso foi vencido pela recém-criada Brasil de Santos, que apesar de jovem, já conquistava seu 05º título.

Tinha-se, então, grandes campeonatos ocorrendo ao mesmo tempo, um na metrópole e outro na baixada, o que deu início a uma discussão – nem sempre tão politizada – sobre qual região possuía o maior carnaval do estado. Quando chega o ano de 1954.

Naquele ano, objetivando ter uma resposta para o debate carnavalesco da época, as escolas de São Paulo resolveram convidar a agremiação Brasil de Santos para a disputa da competição daquele ano. Bem, e como o título da coluna deixa entender, a escola santista sagrou-se a grande campeã, superando nomes paulistanos de peso, como Lavapés, Nenê de Vila Matilde e a já extinta Garotos do Itaim. 

A vitória, única de uma escola não paulistana, é motivo de orgulho por parte da agremiação santista. E tem que ser mesmo, porque podem os anos se passar, mas uma marca histórica como essa ninguém pode apagar, e para sempre diremos que já “deu praia no carnaval de São Paulo”.

Salve o samba, salve o samba de São Paulo e de Santos!

Derlys Acosta