Primeira Dama – (Parte 1)

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Rainha, assim ela é considerada nas escolas de samba paulistana, este adjetivo está no critério de julgamento tanto da UESP como da LIGA. Para chegar a esta pompa, vamos viajar no tempo e conhecer como a figura se tornou realeza nas nossas escolas e nos blocos carnavalescos.

Após a abolição em 1888, os negros foram jogados a margem da sociedade e em sua maioria os fazendeiros e a política nacional, optou em trazer estrangeiros para trabalharem nas lavouras no estado de São Paulo, os libertos migraram para o litoral e capital, aqui se reuniram em grupos e formaram suas sociedades, nas festas carnavalescas saiam brincando em grupos pelas ruas da cidade. Depois de muitas brigas com a polícia que vinha com truculência avançando sobre os grupos para dispensá-los, lógico que foram vencidos.

Passados esses tempos eles colocaram como regra de vitória aqueles que arrebatassem o estandarte do outro seria campeão da brincadeira, então cabia aos negros mais ladinos e versáteis na ginga a ostentar e proteger o estandarte, vinham batucando e a disputa acontecia no encontro dos grupos. Com os estandartes à frente, subiam e desciam ladeiras, os brigões e balizas tinham a incumbência de proteger, escondiam no lenço a navalha, caso não conseguissem arrebatar tentavam rasgá-lo, o vencedor era o que arrebatava ou rasgava o estandarte, do contrário a brincadeira era sangrenta.

Com a evolução dos grupos para sociedades de samba, ranchos carnavalescos e cordões, com o fim destas disputas, coube as mulheres, as mesmas que acompanhavam seus companheiros, ser a responsável por levar o estandarte. Em São Paulo as escolas além da bandeira herdada das entidades do Rio de Janeiro, também vinham com o estandarte.

Isso deu-se até 1968, quando ocorreu a oficialização dos desfiles carnavalescos na cidade de São Paulo, quando os dirigentes das escolas e cordões, foram buscar no Rio de Janeiro o critério de julgamento já existente na capital do samba, assim se aplicou e foi criado oficialmente o Quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Wesley/ Diretor-Instrutor

Artigo de

Redação Sampa