O Carnaval e suas tradições

Escola de samba Acadêmicos do Tatuapé desfilando na Avenida Tiradentes. Foto: USP Imagens

O tempo vai passando e a cada ano, vamos vendo as coisas mudarem, o carnaval está perdendo suas tradições,
aquele brilho antigo que não vimos mais há anos.

Quantas saudades nos dá dos tempos antigos, do início e o meio, os anos de ouro que tinham grandes carnavais, grandes baluartes, os grandes bailes nos salões, as serpentinas, os confetes, as seringas, saíamos fantasiados de casa para as ruas, brincávamos com os vizinhos e amigos, cantávamos sambas enredos e marchinhas de carnaval.

Como era bom se vestir de Pierrô e de Colombina, ir às casas das costureiras verem se as fantasias estavam prontas, pois não tinham barracões naquela época, os carros eram feitos nas ruas ou num terreno abandonado, um galpão emprestado.

Os bailes nos salões tinham a noite e as tradicionais matines, aonde nos divertíramos muito, na inocência e sem brigas, confusões, havia o respeito entre todos, quantas paqueras e amores de carnaval vivíamos naquela época, quantos casais saíram dos salões e das quadras das escolas e estão juntos até hoje, construíram uma família.

Como era gostoso ver os desfiles nas cidades do interior, aonde as pessoas não tinham como desfilar nas grandes escolas do Rio e SP, ou de outro grande centro, mas se divertiam pela sua escola do bairro, da cidade aonde morava, pois através destas cidades que nasceram grandes sambistas, grandes carnavalescos, grandes intérpretes, grandes mestre e diretores de bateria, grandes rainhas de baterias, grandes personalidades do samba.

Mas tudo isto esta se acabando com o passar dos tempos, hoje não vimos mais bailes de carnaval, os salões não tem mais aquelas noites e matines fantásticas.

Os desfiles de hoje mudaram muito, virou tudo mecânico, não se vê mais as alas indo de um lado para o outro, os adereços de mãos sumiram, o que vimos são robôs hoje, alas marchando e não evoluindo como era antes.

Os regulamentos de hoje não ajudam muito e nem os critérios de julgamento, parece que não pode mais nada. Antigamente víamos as baterias se apresentarem sem fazer coreografias, ficar dando voltas, piruetas, os casais de mestres salas e porta bandeiras era clássicos, os de hoje querem aparecer mais que um do que o outro, inventando firulas na avenida. Será que esta geração de hoje não sabe que o pavilhão da escola é o maior patrimônio da agremiação, que deve ser respeitado sempre, que não é toalha, pano de prato ou pano de chão.

Será que conhecem a história do pavilhão, como surgiu, pois tratam ele de forma brusca, sem respeito, colocam até embaixo do braço e levam para casa hoje em dia, outros utilizam como toalha de mesa.

Até porta bandeira vestida de homem hoje tem no carnaval, tudo bem que a primeira porta bandeira da história, era um homem, o Ubaldo da Portela, mas saiu para representar apenas e colocar a figura feminina com o porta bandeira, assim como reis de bateria, rainhas trans, me desculpe não tenho nada contra opção sexual de ninguém e nem preconceito quanto a isto, mas devemos manter as tradições dos carnavais, pois esta perdendo a essência admiro muito os gays que antigamente eram os destaques das escolas, com fantasias luxuosas, davam o brilho ao carnaval, assim como muitos ainda dão hoje.

O que falar das comissões de frente, que antes eram homens de cartola, que vinham saudando o publico e apresentando as escolas, com seu jeito elegante, hoje vimos grupos teatrais, de dança, dando espetáculos e esquece-se de fazer o principal, que é saudar o publico e apresentar a escola, se preocupam mais com eles.

Os harmonias que antes eram poucos que conduziam a escola na avenida, hoje a gente vê um batalhão de gente na avenida cometendo erros, os interpretes ou puxadores, que antes era apenas um, hoje a gente vê um batalhão de gente na ala musical.

E os merendeiros ou empurradores de carros, que quase nem existem mais, pois utilizam hoje sistema motorizado.

Os sambas enredos que antes tinham disputa nas escolas com grandes compositores, hoje em dia os sambas são encomendados, assim como os enredos que muitos são pagos, antes tínhamos grandes sambas e grandes enredos. Hoje a gente vê muita repetição, enredos fracos, quase o mesmo tema todos os anos, será que os carnavalescos estão perdendo a criatividade.

E a Rainha de bateria que antes eram as meninas da comunidade que tinham o sonho de ser um dia rainha da escola do coração, hoje em dia a gente vê famosos, cantoras, pessoas de reality shows, que nem sabem sambar, mas que pagam pelo posto de ser rainha e ir a frente da bateria e tira o sonho daquela menina pobre, que faz parte da comunidade e sempre lutou por este posto.

E também tem aqueles Presidentes e empresários que bancam algumas mulheres para serem rainhas, compram o posto na escola em troca de favores.

Ai que saudades da Praça XI, Avenida Rio Branco, Avenida São João, Avenida Tiradentes, aonde vi grandes carnavais, grandes figuras e personalidades do samba. Como é triste ver algumas escolas fazer homenagens a quem nunca fez nada pelo samba e nunca fez nada a nossa cultura, que nem história tem no mundo, mas que pagam para virar enredo.

Mas irei continuar lutando sempre e levando esta história dos grandes carnavais e das tradições aonde eu for, pois não podemos deixar morrer a nossa cultura, a nossa tradição, pois é através dela que estamos aqui hoje, e devemos respeitar sempre a história, pois quem escreveu esta historia jamais poderá morrer e tem que ficar sempre marcada, e passando a cada ano para os mais jovens, para eles entenderem a essência do carnaval.

Não deixem o samba morrer, não deixem a história e a tradição do carnaval acabar.

Viva o samba, viva o carnaval, viva as escolas de samba, viva os mais velhos que construíram esta história.

Comendador Rilson