O centenário de Dona Ivone Lara, a Dama do Samba

Conheça a história da mulher que quebrou barreiras no samba

Dona Ivone Lara. Arte: Divulgação/Grupo Sampa


Yvonne da Silva Lara, Dona Ivone Lara, nasceu no dia 13 de abril de 1921, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ela era a primogênita da costureira Emerentina Bento da Silva e José da Silva Lara, mecânico de bicicletas, cujo tinham vocação musical, pois, nas horas vagas, a mãe era cantora, e o pai, violinista de sete cordas.

Com apenas 4 anos, Yvonne perdera seu pai, que tinha 27 anos e nunca fora divulgado a causa da morte. Aos 10 anos, fora para o Colégio Municipal Orsina da Fonseca, onde ia para casa de 15 em 15 dias para visitar a família. Yvonne tinha aulas de canto com Lucilia Villa-Lobos, esposa do maestro Heitor Villa-Lobos.

Dona de uma bela voz, Yvonne destacou-se entre as vozes do coral da escola e foi indicada a integrar o Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, e sob a batuta do maestro Heitor, ela cantou as composições dele, “O Canto do Pajé” e “A Lavadeira”, aos 13 anos.

Assim, começou o encanto de sua voz nas canções.

A artista contava que lembrava-se que sua primeira composição fora quando tinha 12 anos, “Tiê Tiê”, um samba inspirado no passarinho Tiê-Sangue, a qual ganhara de presente.

O tempo foi passando, e em 1945, Yvonne ingressou no curso de assistente social e após sua formação, a qual ela foi pioneira nessa profissão no Brasil, foi contratada no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro, e lá ficou até se aposentar.

As atividades culturais não paravam para a artista e ela quebra uma barreira. Antigamente, as mulheres no Carnaval somente tinham o papel de pastora, apenas memorizavam os sambas para serem entoados nas quadras, e Yvonne Lara foi a primeira a integrar a ala dos compositores na Império Serrano e também a primeira a compor um samba enredo, “Cinco Bailes Tradicionais na História do Rio” (1965).

Em 1970, seu nome artístico passa a ser Dona Ivone Lara. A crítica a identificou como uma das melhores compositoras de samba do Brasil, na década de 70. Em grande parte de suas obras identifica-se a herança africana do samba de roda, do jongo e do partido alto.

Dona Ivone Lara ficou conhecida nacionalmente com suas composições interpretadas por grandes ícones de nossa MPB, tais como, “Sonho Meu”, de Gal Costa e Maria Bethânia, que é composição de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho; “Alvorecer”, Clara Nunes, entre outros.

A artista também realizou shows nos Estados Unidos, África, Europa e em diferentes países da América do Sul, a partir do ano 2000.

A escola de samba Império Serrano a homenageou em 2012, com o enredo “Dona Ivone Lara: O Enredo do Meu Samba”. A agremiação foi vice-campeã do Carnaval carioca.

No dia 16 de abril de 2018, a Dama no Samba faleceu, deixando muitas canções que são e serão cantadas em muitas rodas de samba e shows.

Artigo de

Rita Lutfi