Itaquá tinha o melhor Carnaval do Alto Tietê

Exposição “Eternos Carnavais – Tradição e Memórias das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Itaquaquecetuba”, de 2015. Foto: Ronaldo Andrade

O tempo passou e lá já se vão 12 anos sem Carnaval na cidade de Itaquaquecetuba, onde tinha o melhor carnaval do Alto Tietê.

Vamos relembrar um pouco desta história desde quando tudo começou. No ano de 1982, um grupo de amigos estavam reunido na Praça Padre João Álvares, no centro de Itaquá, e ali nasceu a ideia de fazer o Carnaval na cidade de Itaquaquecetuba.

Então foi criada a União das Escolas de Samba de Itaquaquecetuba (UESI), e vieram as primeiras escolas de samba. São elas:

A primeira, a Zé marinho de Vila Maria Augusta, que surgiu no ano de 1976, mas como ‘Congada de Boi Bumbá’, e logo virou escola de samba.

A segunda, a Mocidade Independente de Vila Bartira, que até hoje ainda mantém as tradições na cidade, sendo chamada de “o berço do samba de Itaquá”.

A terceira, a Unidos do Monte Belo, uma descendência de alguns sambistas da Bartira que saíram e fundaram a escola, que viria a ser a maior vencedora do Carnaval da cidade, que trazia sempre alas do Camisa Verde e Branco e da Primeira do Itaim.

Em quarto, a Unidos da Colmeia, que era um grupo de capoeiristas no bairro da Estação, e que viria a ser a escola do povo, por ser a mais inovadora e a mais pobre, mas que atraia multidões.

O primeiro desfile em 1984, na Praça de Itaquá, atraiu um grande público que logo viriam a amar o Carnaval na cidade. A campeã daquele ano seria a Unidos do Monte Belo, mas o Carnaval ficou marcado pela ousadia da Colmeia, que inventou e criou coisas que hoje nós vimos nos grandes carnavais pelo Brasil.

Entre elas estão o recuo de bateria com Mestre Grilo a frente, sendo a pioneira a fazer o primeiro recuo de bateria na história. Com pouco dinheiro, conseguiu fazer algumas fantasias com sacos de estopa, a qual eu desfilei nesta ala e era o chefe da mesma, ainda criança.

A Colmeia também foi a primeira escola de samba a ter uma mulher pintada na avenida, o famoso “nu artístico” no Brasil. Uma moça vinda da Vila Matilde queria desfilar, mas não tinha mais fantasia. Com uma ousadia, o carnavalesco disse a ela tira a roupa que irei pintar você e desfilou linda. A primeira mulher a desfilar pintada na Sapucaí foi no ano de 1989, muita gente exalta muito o Rio e SP, mas não sabem que em Itaquá, foi onde surgiu o primeiro recuo de bateria, a primeira mulher pintada na avenida, e a primeira bateria a se ajoelhar na avenida.

Depois vieram os anos de 1985, com Monte Belo sendo bi campeão, e em 1986, a Colmeia se consagraria campeã com o “ZumZumZum”, no primeiro desfile em frente a nova Prefeitura, levando a arquibancada toda a cantar o samba. Em 1987 e em 1988, a Vila Bartira levaria o titulo com o “PirlimPinPIn do Sítio”.

Logo em seguida, o Monte Belo seria tri campeão, e o Carnaval ficou parado por alguns anos, voltando no ano de 1996, mas sem disputa, e com mais 3 escolas, a Perola Negra, Quimera e Jardim do Carmo, novamente a cidade ficaria sem Carnaval por 9 anos. Até que no ano de 2006 retornaria, e neste mesmo ano, surgia a Unidos da Fiel, que desfilaria no ano de 2007, vencendo o acesso, e o Monte Belo seria tri campeão nos anos de 2006 a 2008, este último ano foi marcado como uma das maiores injustiças já vistas no Carnaval de Itaquá: por causa de um jurado mal intencionado tirou o título tão sonhado da Maria Augusta, que vinha falando dos cem anos da imigração japonesa.

Na avenida, os gritos de “campeã”, e a arquibancada toda cantado o samba. Na apuração, a escola obteve dezessete notas 10, e uma nota 8, no samba enredo. Além disso, a agremiação levou 9 estandartes de ouro, e ficou em terceiro lugar pela nota 8. Um choro tomou conta do ginásio de esportes.

E no ano de 2009, a Unidos da Fiel seria campeã pela primeira vez no Especial, levando para a avenida o enredo “Do Paraíso ao Inferno”, fazendo um belo desfile.

Durante estes anos, nasceram mais escolas em Itaquá, como a Império do Caiuby, a Jardim Arizona, a Leão de Ouro, e também surgiria uma nova liga, a Liesbci.

E por que não lembrar de figuras folclóricas nos carnavais, como o Carioca, Simone, Marisa, Pinel, entre outros?

Eu tive a honra de fazer parte dos batizados das escolas Unidos da File, sendo a madrinha da Unidos de Vila Maria e a Perola Negra, a madrinha a Pérola Negra de São Paulo, juntamente com meu mestre, o embaixador e cidadão do samba paulistano, Eduardo Nascimento, mais conhecido como “Cabo Verde”.

Hoje, os sambistas voltaram a ser reunir novamente para tentar colocar o Carnaval da cidade de novo na avenida. Com o aval da Prefeitura, da cultura e a colaboração de todas as escolas, temos a certeza que logo veremos novamente o maior Carnaval do Alto Tietê abrilhantando mais uma vez as noites, e levando alegria e sonhos a muita gente que tem esperado por anos este momento mágico.

Viva o Carnaval de Itaquá! Viva o Carnaval do Alto Tietê! Viva todos os sambistas!

Comendador Rilson