O Carnaval é no mundo todo

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Foto: Pixabay.com

Quando falamos em Carnaval e desfiles de escolas de samba, logo vem a nossa cabeça o eixo Rio–SP. Mas, será que só existe Carnaval nestes dois estados?

O Carnaval percorre fronteiras, seja no Sudeste, Sul, Centro–Oeste, Norte e Nordeste ─ estamos falando em desfiles de escolas de sambas e não em Carnaval ao todo, pois sabemos que o Carnaval pode ser um desfile, um trio elétrico, marchinhas, bailes de salão, frevo, entre outros. Quando comentamos sobre escolas de samba, normalmente, a maior parte da população só conhece as escolas do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas existem outros desfiles pelos quatro cantos do país e pelo mundo.

“Mas estas outras escolas de samba são de onde?”, “Como são?”, estas são as perguntas que todos fazem, e sempre reafirmam que Carnaval e escolas de samba só existem no Rio e em SP. Para quem pensa desta forma, desculpem-me, mas vocês estão enganados. Posso dizer, com total autoridade, que existem muitas escolas maravilhosas por todos estes país. Presenciei grandes desfiles no Brasil, pelos longos anos de vida, durante minhas viagens a trabalho pelo país e o mundo. Assisti ótimas escolas de samba, e vi vários profissionais que trabalham o ano inteiro para este espetáculo acontecer, seja ele onde for.

Durante anos, fiz muitos workshops de Carnaval e julguei muitas cidades por este Brasil afora, portanto, garanto que a folia não se resume ao eixo Rio–SP, pois cada cidade tem sua cultura, seu regulamento e seu critério de julgamento ─ porque não pode seguir apenas um modelo, ou copiar um apenas. Devemos respeitar sempre o Carnaval de cada cidade, seja sua origem, suas escolas, seus profissionais, ou o povo que sonha o ano inteiro em desfilar, mas não tem condições de ir para o Rio ou SP, entregando então, seu verdadeiro amor a sua cidade e a sua escola, e se transformando em um grande artista na avenida.

Por onde passei, vi grandes desfiles, coisas diferentes, fiz muitas amizades as quais ensinei e aprendi também muito com todos que eu conheci. Até hoje, acompanho todos os desfiles e procuro ajudar sempre no que posso nestas cidades tão necessitadas, de incentivo municipal, estadual e federal, pois vejo que as pessoas trabalham com amor e não por dinheiro, como muitos que vemos hoje.

O Carnaval mudou muito, não devemos mais seguir as coisas de 30 anos atrás. Hoje, existem pessoas qualificadas e capacitadas em cada setor, e muita gente boa pelas cidades menores, grandes carnavalescos, intérpretes, compositores, coreógrafos, harmonias, diretores de bateria, mestres-salas e porta-bandeiras, e rainhas de bateria.

Muitos ainda glorificam alguns quem só tem nome, mas a maioria das pessoas não sabe que as ideias, os pilotos, são destes artistas anônimos de cidades pequenas, que são pagos por esses de nomes que somente assinam para dizer que a obra são deles. Não estou generalizando ou falando de todos, mas sim de alguns, pois sabemos que é assim que funciona mesmo. E sabemos também que temos muitos profissionais excelentes, de nomes consagrados, que têm suas próprias equipes e são feras no que fazem; mas tem alguns por aí que só têm o nome mesmo.

Assim como Rio-SP, destaca-se o nome, os grandes Carnavais e as grandes escolas; mas os menores Carnavais, as cidades menores, também têm muita história, muita riqueza cultural, e devemos respeitar e valorizar sempre estes grandes artistas espalhados pelo mundo, deste universo chamado Carnaval.

Comendador Rilson