Busca por banha suína cresce impulsionada pelo aumento do preço do óleo vegetal

28/12/2020 – Gostoso é comer à moda antiga, com aquele jeitinho que só quem é da roça sabe fazer. Graças a Deus, muitos cientistas e doutores reconhecem a qualidade da banha

Com majoração apontada pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica, gordura tradicional volta a ser alternativa; nutrólogos e nutricionistas apontam qualidades do alimento

A banha de porco voltou a ser alternativa econômica após aumento de 32% do valor cobrado nos supermercados para o óleo de cozinha.
A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), indica que o preço do óleo está relativo ao do arroz, que teve sua maior alta desde 2008. O preço médio de um quilo de banha equivale a quatro litros de óleo – hoje ao custo de R$ 8,00 a R$ 10,00 nas gôndolas dos supermercados. Os adeptos da banha alegam, contudo, que ela rende três vezes mais.
A procura pela gordura suína ocorre também após surgir nova tendência de dietas dentre nutricionistas e médicos, que indicam a substância por conta dos indicativos nutricionais. Fernanda Cosac, nutricionista, defende o uso da banha pelo fator nutricional e sabor: “Frita e refoga e não deixa sabor residual”.
De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), os brasileiros consumiram 500 mil toneladas de carne suína dentre junho de 2017 e julho de 2020. A associação informa que a carne de porco está presente em 75% dos lares brasileiros. A entidade representativa diz que a banha voltou a ser atrativo para este público já acostumado com a “tradição do porco”.

Conforme estudo da Embrapa, realizado pelo pesquisador Jerônimo Fávero, os suínos chegaram ao Brasil em 1532 vindos de Portugal. De lá para cá, o segmento passou por fases de expansão em todo território brasileiro e, por último, chegou ao ponto do melhoramento genético – que toca especialmente ao padrão da banha e da carne.

Maria Angélica, produtora rural que atua no segmento da suinocultura em Taquaral (GO) e Goiânia (GO), diz que ocorreu valorização do porco tipo ‘banha’ nos últimos meses. Nas décadas de 1990 e 2000, a produção industrial era exclusivamente voltada para a retirada da carne suína – o que contrariava a prática artesanal nas fazendas, onde o homem do campo comia geralmente alimento cozido com banha. “No interior, a produção artesanal de banha de porco nunca cessou. Mas faltava a industrialização. Agora, até mesmo confeitarias têm usado a banha para fazer bolos e doces”, diz.
Dona Angélica, como é conhecida Maria Angélica em sua fazenda produtora de banha de porco, confirma que o valor do óleo de cozinha amplificou a busca pela banha, a ponto de supermercados e atacadistas terem que entrar na fila dos produtores, já que o segmento não esperava o rápido retorno.
Criada na fazenda desde criança, ela explica que a gordura de porco resiste bem às altas temperaturas, além de ser mais saborosa e cheirosa. Maria Angélica explica que os produtores têm atuado com produtos “premium” para empórios e outros mais populares destinados às grandes redes.

 

Nutrição
A nutricionista Vitória Falcão diz que a ideia de que os óleos industrializados sejam mais seguros prejudicou o consumo de banha nas últimas décadas, criando um preconceito alimentar: “A banha tem toda gordura natural. É melhor do que óleo de canola, óleo de soja, de milho, sem sombra de dúvidas”.
Os defensores da banha ganharam o apoio de Lair Ribeiro, médico nutrólogo que é palestrante no segmento da saúde alimentar. Ele diz que o óleo de canola e outros “de cozinha” “provocam lesões cardíacas”: Por sua vez, acredita que a banha seja melhor valorizada na cozinha: “Entre o óleo vegetal vendido em supermercado e a banha da avó, é melhor a banha. O óleo para não estragar é hidrogenado. Isso vira gordura trans, que é antinutriente. Muitas pessoas ficam doentes por conta do óleo que cozinham”, diz.

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