Matemática é disciplina-chave para o mundo pós-pandemia com interpretação de dados e desenvolvimento de habilidades socioemocionais

1/12/2020 –

Segundo especialista, universo da Educação vai requerer ainda mais da disciplina para entender o mundo por meio dos números e a si mesmo com a inteligência emocional

Eventos que marcam uma época, como é o caso da pandemia atualmente vivenciada pela humanidade, costumam acelerar processos já iniciados. A corrida para os dispositivos digitais observada nos últimos meses, como recursos emergenciais para viabilizar a continuidade das atividades profissionais e educacionais, realçou de maneira positiva o papel da matemática para a compreensão do mundo.

Desde as projeções de novos casos de Covid-19 até termos como “achatamento da curva” da transmissão da doença, “número de reprodução”, conceitos e modelos matemáticos passaram a fazer parte dos noticiários e das discussões sobre a pandemia. Para alguns especialistas, a dificuldade de as pessoas em entendê-los e aplicá-los no dia a dia é outra evidência de que a forma de ensinar a disciplina na escola pode ir além quando se objetiva preparação para seu uso na vida real.

Para George Balbino, vice-presidente da Mangahigh Brasil, dar aos jovens uma formação adequada não só para o presente, mas também para o futuro, é um desafio que deve ser enfrentado de forma urgente nos próximos anos. No Brasil, apenas 16% dos alunos concluem o ensino fundamental (9° ano) com aprendizado adequado em matemática, segundo a última avaliação feita com os dados da Prova Brasil 2017.

Essa percepção ficou ainda mais latente durante a pandemia. Os problemas no ensino da disciplina, embora não sejam exclusivos do Brasil, revelam cenários diferentes ao redor do mundo. Atualmente, o consenso entre especialistas é que os currículos não estão alfabetizando os estudantes na capacidade de interpretação de dados, algo crucial para as próximas gerações que entrarão no mercado de trabalho.

Para se ter uma ideia, um levantamento da consultoria Deloitte apontou que, ainda no início dessa década, em regiões mais desenvolvidas como o Reino Unido, cerca de 11% dos empregos já se concentravam em profissões com forte embasamento matemático, e que essas atividades contribuíam com até 16% do Produto Interno Bruto (PIB). Se esse entendimento fosse aplicado à realidade brasileira, indica o estudo, atividades que envolvem conhecimentos matemáticos mais sofisticados movimentariam algo em torno de R$ 1 trilhão por ano.

Dessa forma, criar materiais e adotar práticas pedagógicas que permitam aos estudantes interagir com o mundo dos números de maneira ativa e descomplicada é o ponto principal para os educadores da área. Caso contrário, diz o executivo, os estudantes se verão diante de números, gráficos e outras representações matemáticas, sem compreender como eles mesmos estão inseridos nessa realidade.

“Ser alfabetizado em dados significa ser capaz de interpretar números, gráficos, probabilidades ou questões lógicas, por exemplo, e conseguir usar essas informações para identificar padrões e buscar soluções. Essa é uma habilidade considerada essencial para formar trabalhadores e cidadãos para o século XXI”, explica Balbino.

Matemática só para “gênios”

Historicamente considerada a disciplina mais difícil de se aprender no Ensino Básico, a ideia de que a matemática é para um “grupo seleto de pessoas com talentos especiais” foi socialmente disseminada também na sala de aula, transformando-se em algo que gera problemas práticos no dia a dia que transpõem os muros das escolas. Esse estigma associado à disciplina inibe os estudantes de escolherem possíveis carreiras em segmentos da economia em alta demanda em meio à 4ª revolução industrial, que tem transformado processos de produção e tomada de decisão de empresas e governos cada vez mais dependentes de sistemas digitais e com algo grau de sofisticação matemática.

Além disso, essa aversão criada produz sinais claros de comportamentos que podem resultar em baixos níveis de confiança na interação com a disciplina. Uma das alternativas que as escolas deverão encontrar dentro do ensino remoto é a partir do uso de dispositivos digitais que ofereçam um ambiente adaptado e personalizado para cada aluno se desenvolver sem estresse.

Uma das possibilidades é através das metodologias ativas com atividades que seguem a lógica da gamificação. Por meio dela, é possível ao aluno desenvolver competências ligadas ao raciocínio lógico e à matemática de uma forma descontraída e personalizada, fornecendo feedback ao aluno em tempo real, para que ele possa entender que o erro é parte integral do processo de aprendizagem e para que ele possa se tornar protagonista do seu aprendizado. Os mesmos dados são disponibilizados ao professor através de ferramentas de análise diagnóstica para que estratégicas pedagógicas possam ser construídas com base em evidências e em bom tempo. Durante o processo e ao ser exposto ao ambiente virtual de aprendizagem, habilidades como autocontrole, resiliência, autoestima e capacidade de resolver problemas são desenvolvidas e consolidadas.

“Os games, por serem desafiadores e de muita familiaridade para essas novas gerações, conseguem despertar o interesse e o engajamento nas atividades propostas. Com essa técnica, o próprio aluno sente necessidade de ir atrás do conhecimento, desenvolvendo autonomia e autogestão”, finaliza Balbino.

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