Retrospectiva 2020: ameaça ou oportunidade?

19/11/2020 –

Especialistas analisam o ano e projetam o que vem à frente em 2021

Enquanto boa parte das empresas do Brasil fecha as portas, pressionadas pela crise sanitária e econômica, as organizações de TI vivem o auge em meio ao caos. Obstáculos pelo caminho? Inúmeros, mas a grande maioria surgiu para acelerar o processo de digitalização das companhias e fazer com que o modelo de gestão ultrapassasse o consultivo para se tornar decisivo em todas esferas, portes e segmentos empresariais.

É o que diz o presidente do Seprorgs, Rafael Krug, ao ser questionado sobre o fato mais marcante deste ano desafiador. “Apesar de todos os altos e baixos que as empresas enfrentaram devido à pandemia, foi a capacidade de se digitalizar de forma quase que imediata que ficará registrado em nossas memórias como acontecimento marcante dos últimos meses. A urgência dessa transformação foi decisiva para manter o atendimento aos clientes. Por isso, a TI, junto da área da saúde, foi determinante para evitar o caos econômico em 2020”, diz o executivo.

A digitalização ganhou força em função da crise e da necessidade gerada em fornecer no ambiente on-line a mesma qualidade na prestação de serviços e atendimentos experimentada de forma presencial. Como resultado, empresas passaram a priorizar tecnologias que iam demorar 12 ou mais meses para serem implementadas.

Além das máscaras e do álcool em gel, o “novo normal” trouxe também a certeza de que as próximas tecnologias talvez não precisem ser inventadas, mas, certamente, serão, cada vez mais, dedicadas e customizadas. Diante dessa forma nova de ser e estar, as realidades se alteraram em diversos setores da vida social, sobretudo em relação às formas de trabalho. O atendimento home office, por exemplo, ganhou força neste contexto, abrangendo profissionais das mais variadas áreas de atuação. Essas experiências digitais vão fortalecer os negócios não só em tempos de crise, mas também quando a pandemia passar.

Falando em home office, o modelo que enfrentava resistência em diversas empresas, se mostrou um caminho para manter as atividades e reduzir a circulação de pessoas nas cidades, uma necessidade para frear o avanço do vírus.

Um estudo realizado em 17 países, e feito com a participação de diretores de TI de empresas com mais de 2.500 funcionários, mostrou que, após a pandemia, 30% das empresas devem seguir com o trabalho remoto. Além disso, 86% dos profissionais que responderam à pesquisa preferem esse regime de trabalho.

Para especialistas em RH, o home office tem despontado como uma oportunidade para os gestores conhecerem os colaboradores globalmente, além de aumentarem sua empatia com cada um dos empregados.

Além disso, há quem diga que o chamado “novo normal” começou antes mesmo do Coronavírus, porém, em outra velocidade, e que 2020 traz uma ameaça para quem ficar parado e uma oportunidade para todos que escolherem crescer em meio à crise.

Fato é que o uso da tecnologia para esses fins já era uma forte tendência em alguns ramos, como na saúde – grande protagonista de 2020. Para este segmento, os últimos meses foram de buscas por soluções eficientes em um curto espaço de tempo.

Na área hospitalar, por exemplo, o setor de TI exerce o papel da informatização dos processos de trabalho assistencial, gerando a riqueza de informações que são mantidas dentro do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP).

Um dos desafios do setor de health care este ano foi garantir a segurança da informação para que os colaboradores dessem continuidade ao serviço realizado através de home office, sendo que até estações de trabalho dos radiologistas foram levadas para as casas dos profissionais, permitindo, assim, que os especialistas conseguissem laudar os exames de imagem de forma a cumprir o tempo de disponibilidade do resultado, bem como garantir a autenticidade do profissional técnico responsável.

E o que esperar para os próximos anos?

A fintech norte-americana Intuit QuickBooks divulgou um estudo apontando que quase metade das pequenas empresas brasileiras (49,7%) está mais digital agora, pós-crise da Covid-19. A tendência é que esse número cresça exponencialmente. Vale ressaltar que entre as ferramentas escolhidas para o período de isolamento estão aplicativos que facilitam a comunicação remota e a criação de comércio eletrônicos (e-commerce).

Com essa retrospectiva de 2020, e mais o que apontam pesquisas nacionais e internacionais, é possível se manter com esperança, porém, jamais se enganar

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