Meu sabiá ô ô ô, soltou o trinar, cantou cantou…

TV Globo/Globoplay
 

O ano é 1992, segundo ano de desfiles no sambódromo do Anhembi e a Rosas de Ouro conquistava o seu tri-campeonato com o enredo Non Ducor Duco – Qual é a minha cara?”, sobre a metrópole paulistana. Sendo franco, um dos melhores sambas já produzidos pela família Roseira.

O samba do Meu Sabiá foi cantado por Royce do Cavaco e era constituído por uma melodia harmônica, suave e de um bom astral, além de trazer uma letra de fácil compreensão, ele também é um daqueles “sambas-chiclete”, que acompanhando de um bom tamborim, se tornou eterno na história do carnaval da Rosas de Ouro.

Acompanhe um trecho da letra:

“Azul e rosa a passar

Azul e rosa é roseira

Roseira onde canta o sabiá

Meu sabiá, ô ô ô ô

Soltou o trinar, cantou, cantou

Deu um show na passarela

Levantou a galera

Bateu asas e voou.”

A letra que foi muito bem escrita faz uma viagem no tempo à época na qual a cidade ainda trilhava nos moldes europeus, com tecnologia de ponta e com garoa pairando sobre a capital. Ele traz a história da cidade com o surgimento revolucionário do gigante e a queda elite cafeeira. Menções a grandes construções e pontos característicos da cidade como a “catedral que te faz olhar para cima” no marco zero e no nobre Ibirapuera, deitar e rolar.

Além disso, ele ressalta o velho carnaval, antes feito nas ruas do centro velho, com as rosas baianas, fazendo a cidade toda girar. Do palco de arte e cultura Municipal, de violinistas clássicos e reduto modernista ao sonho de um dia beber o Tietê.

As safras de sambas-enredos da década de 90 têm um formato diferente da composição que temos hoje devido aos tamanhos das sinopses dos enredos, pois não eram tão detalhados resultando em letras mais curtas, frases pequenas e objetivas.

Relembre o samba:

Erick Eduardo