Crise gerada pela pandemia traz impactos financeiros e acadêmicos para instituições de ensino superior

São Paulo-SP 12/11/2020 – O elevado nível de satisfação dos estudantes com a solução que adotamos fez com que o índice de evasão fosse irrisório

Atingidas de formas distintas, escolas privadas e púbicas adotam alternativas para minimizar perdas

O setor da educação no Brasil foi duramente afetado em 2020 pela crise causada pela pandemia de Covid-19. A suspensão das atividades presenciais e a queda da renda das famílias impulsionaram os índices de evasão e inadimplência nas escolas particulares. No âmbito do ensino superior privado, cerca de 600 mil estudantes, contingente superior à população de Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, calculada em 510 mil habitantes, abandonaram seus cursos ou trancaram matrícula no primeiro semestre deste ano, o que afetou a saúde financeira dos estabelecimentos. Entre as universidades públicas, especialmente as federais, o maior problema foi a demora para a oferta de atividades acadêmicas remotas. Algumas instituições ficaram meses paralisadas.

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Semesp, vinculado ao Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), a taxa de evasão registrada pelo setor privado no primeiro semestre de 2020 foi de 10,1%, o que representou um aumento de 14% em relação ao mesmo período de 2019. Quanto à inadimplência, considerada quando ocorre atraso de pagamento superior a 90 dias, o índice foi de 11,2% – patamar 30% superior ao do ano passado. Para impedir que o impacto provocado por estes dois fatores fosse ainda maior, as instituições de ensino adotaram medidas como a negociação das dívidas com os alunos ou seus pais e a concessão de crédito próprio, para ser saldado após a formatura.

Nas universidades públicas, cujo ensino é gratuito, as perdas foram de outra ordem. Uma parte delas, principalmente as federais, enfrentou sérias dificuldades para oferecer atividades remotas em substituição às presenciais. Há casos em que a solução levou cinco meses para ser implementada, situação que gerou muita reclamação por parte dos estudantes. Um exemplo é a Universidade de Brasília (UnB), que retomou a oferta de conteúdos referentes ao primeiro semestre somente no dia 17 de agosto, de forma online. Segundo estimativas do Ministério da Educação, há escolas federais cujo ano letivo de 2020 será encerrado apenas em maio de 2021, evidência de que o próximo período ainda sofrerá as consequências da atual crise.

Exceção

Uma das raras exceções neste cenário marcado por tantas adversidades é a Facamp (Faculdades de Campinas), instituição particular que oferece oito cursos em tempo integral. A Faculdade, que chega financeiramente equilibrada ao final de 2020, registrou baixíssimos níveis de evasão e inadimplência ao longo do ano. Os bons resultados obtidos são consequência de ações estratégicas adotadas nos âmbitos acadêmico e administrativo-financeiro, que buscaram suprir as necessidades de alunos e suas famílias, sem comprometer a sustentabilidade financeira da instituição.

De acordo com o diretor Acadêmico da Facamp, professor Rodrigo Sabbatini, o enfrentamento das dificuldades criadas pela pandemia exigiu ações ágeis e bem planejadas por parte da instituição. A questão principal foi definir um modelo pedagógico que pudesse promover a transição do ensino presencial para o remoto, sem que houvesse perda de qualidade e, ao mesmo tempo, mantivesse os alunos estimulados. A primeira medida da Facamp foi investir na adoção do Canvas, sistema de gestão de aprendizado considerado a melhor plataforma de ensino remoto do mundo, utilizada por cerca de 4.000 instituições de ensino no Brasil e exterior.

Segundo o diretor Administrativo e Financeiro, Fernando da Rocha Azevedo, a agilidade da instituição foi fundamental para o êxito do processo. “Em menos de duas semanas, adquirimos a tecnologia, treinamos alunos e professores e instalamos o Canvas com sucesso. Foi um recorde”, analisa. O modelo implementado pela Facamp, que agradou a estudantes e professores, contemplou a prática da chamada “aula invertida”, que consiste em dar um tema de trabalho para o aluno (leitura, lista de exercícios, redação etc), que pode cumpri-lo de forma individual ou em grupo.

A atividade orienta o encontro virtual que os estudantes têm posteriormente com os professores, no qual ocorre um intercâmbio de ideias em torno do conteúdo proposto. O procedimento, de caráter inovador, permite que os docentes dividam com os estudantes o esforço de aquisição do conhecimento. O desempenho dos alunos tem sido semelhante ao obtido nas aulas presenciais, sendo que alguns tiveram ganhos porque ampliaram a autonomia para desenvolver seus estudos. “O elevado nível de satisfação dos estudantes com a solução que adotamos fez com que o índice de evasão fosse irrisório”, aponta Sabbatini.

Outra iniciativa importante que contribuiu para que a Facamp enfrentasse o período de pandemia sem grandes abalos foi a abertura de negociação com as famílias que tiveram os rendimentos afetados pela crise. “Nós estabelecemos um canal de atendimento personalizado e passamos a analisar caso a caso. Buscamos, de forma transparente, definir acordos que atendessem às necessidades dos pais e ao mesmo tempo assegurasse a saúde financeira da instituição. Esta atitude, além de evitar a inadimplência, fortaleceu o vínculo dos alunos e de suas famílias com a instituição. Felizmente, não tivemos que promover demissões”, afirma Rocha Azevedo.

Graças à estabilidade alcançada, a Facamp já se prepara para superar outro desafio. A Faculdade está elaborando um plano com vistas à retomada das atividades acadêmicas presenciais em 2021, assim que a medida for autorizada pelas autoridades de saúde. No retorno, os alunos encontrarão uma instituição preparada para atender às exigências sanitárias. Também terão contato com o mesmo ensino de excelência, voltado tanto à formação técnica quanto ao desenvolvimento pessoal. Terão à disposição, ainda, um instrumental tecnológico atualizado, composto pelas mais avançadas ferramentas digitais e bancos de dados.

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