Crianças e adolescentes devem ser levados à consulta de rotina com o oftalmopediatra, mesmo durante a pandemia

Rio de Janeiro 30/10/2020 – A maioria das doenças dos olhos podem ser prevenidas e tratadas com excelentes resultados quando diagnosticadas precocemente.

Os exames com o especialista previnem o cansaço ocular decorrente do longo período de exposição às telas e problemas graves de visão

Com o necessário isolamento social, devido à pandemia de COVID-19, as crianças e os adolescentes estão assistindo às aulas em computadores, tablets e outros dispositivos, passando assim horas de olhos grudados diante das telas. Mesmo as escolas que reabriram com atividades presenciais ainda estão utilizando mais as ferramentas virtuais para o ensino a distância. E tanto esforço pode afetar a saúde ocular, com prejuízo no aprendizado. Se o aluno já sofre de algum problema de vista, terá desinteresse, falta de concentração e maior dificuldade para compreender o conteúdo. O que para muitos pais ou responsáveis parece preguiça de estudar, pode ser resultado de alguma deficiência visual. Portanto, a consulta prévia a um oftalmopediatra é essencial para prevenir e tratar precocemente qualquer doença dos olhos.

“Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento, melhores os resultados”, diz a oftalmopediatra Diana Danda, membro do Centro Brasileiro de Estrabismo, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica e do corpo clínico da Lúmmen Oftalmologia, empresa do grupo Opty. Ela lembra ainda que a prevenção de problemas oculares na infância deve começar no pré-natal, quando é possível detectar e controlar doenças nas gestantes, como, por exemplo, toxoplasmose, sífilis e herpes, que colocam em risco a visão do feto.

Já no pós-parto, os recém-nascidos precisam passar pelo “teste do olhinho”; um exame fundamental para investigar alterações que exigem intervenção médica urgente, tais como catarata (maior incidência em bebês cujas mães tiveram infecção) e glaucoma congênitos (um sinal é a fotofobia), e retinoblastoma (tumor na retina, área que gera as imagens).

Até completarem dois anos de vida, os bebês, com sintoma ou não de problemas de vista, precisam, a cada seis meses, ser levados ao oftalmopediatra. Após essa idade, se estiver tudo bem, a criança deverá ser examinada anualmente até os dez anos. Isso porque são na fase pré-escolar (dos 4 aos 6 anos) e na segunda infância (dos 6 anos à puberdade) que costumam aparecer os erros de refração (miopia, astigmatismo e hipermetropia, males que podem ser hereditários). E também o estrabismo, o desalinhamento dos olhos, distorção que atinge cerca de 5% da população infantil e tem diferentes formas: um olho pode estar virado para frente, enquanto o outro, para dentro, para fora, cima ou baixo. As causas podem ser algum dano nos músculos que controlam o movimento ocular, lesão no nervo óptico, entre outras.

“É normal algum desvio dos olhos até por volta dos seis meses. Porém, se permanece depois dessa idade, deve-se consultar um oftalmopediatra. Com a falha, os olhos não focam a imagem no mesmo sentido, ao mesmo tempo, o que pode levar à diminuição da visão, perda da percepção de profundidade e visão dupla. Daí a importância de iniciar a correção precocemente, que inclui o uso de óculos especiais, tampão, exercícios para os olhos ou cirurgia”, esclarece a dra. Diana, acrescentando que a negligência com a saúde ocular nos primeiros anos afeta o desenvolvimento psicomotor e a capacidade de comunicação.

Confira por que a consulta é essencial antes da pré-escola:

Visão embaçada de longe – Em um olho normal (sem grau ou emétrope), a luz primeiro passa pela córnea (a lente externa), pela pupila – estrutura que controla a quantidade de luz que chega ao interior do olho – e pelo cristalino (lente interna), sendo direcionada à retina. Na miopia, a visão de perto é boa, mas fica embaçada de longe. Ocorre quando o comprimento do olho é maior que o normal, a córnea é muito curva ou quando o cristalino tem formato, espessura ou posição anormais. A correção pode ser feita com óculos, lentes de contato, cirurgia a laser e implante de lentes intraoculares (para graus maiores).

De perto borrado – Na hipermetropia, a visão de longe e de perto são embaçadas. Acontece quando o comprimento do olho é menor que o normal, a córnea é muito plana ou o cristalino tem formato, espessura ou posição anômalas. E a luz que entra não é focada corretamente na retina, deixando os objetos borrados. O principal fator é a herança genética. E a criança e o adolescente têm queixas de cansaço ou desconforto ocular após esforço prolongado de visão para perto; dor de cabeça e dificuldade de concentração. A correção pode ser feita com óculos, lentes de contato, cirurgia a laser e implante de lentes (graus elevados).

Tudo meio turvo – No astigmatismo ocorre perda da nitidez da visão em diferentes graus e devido a irregularidades da superfície das lentes do olho. Com o defeito, a imagem chega à retina distorcida e dividida. E a visão fica borrada de longe e de perto. Em pouco grau, normalmente não atrapalha e nem sempre precisa de correção com óculos, lentes de contato ou cirurgia. É comum estar associado à miopia ou à hipermetropia. Geralmente, é herdado.

Baixa de visão – A ambliopia, a baixa de visão, também conhecida como olho preguiçoso, acontece quando o cérebro estimula mais um olho do que outro e eles não atuam em conjunto.

Horas diante de telas e miopia – O longo período de exposição às telas está associado a danos como redução do campo de visão e miopia. Assim que possível, é preciso oferecer mais tempo de atividades ao ar livre às crianças, no mínimo 40 minutos diários. Pesquisas recentes sugerem que a luz do sol ativa a produção da substância dopamina (um mensageiro químico do sistema nervoso) que, entre outras funções, atua para evitar o crescimento além do normal do globo ocular, reduzindo, assim, o risco de miopia ou piora desse erro refrativo. Outros estudos indicam que a luz do sol estimula a fixação de vitamina D, que parece ter papel importante na visão.

Ainda com relação ao tempo diante de telas, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reitera a necessidade, mesmo durante a pandemia, do controle por parte dos pais ou dos responsáveis das horas passadas pelos seus filhos em dispositivos digitais. Saiba mais em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22521b-NA_Recom_UsoSaudavel_TelasDigit_COVID19__BoasTelas__MaisSaude.pdf.

Cuide bem da saúde ocular dos seus filhos. A maioria das doenças dos olhos podem ser prevenidas e tratadas com excelentes resultados quando diagnosticadas precocemente.

Website: http://www.opty.com.br

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