Psicogenealogista explica como a pandemia e o isolamento social estão ativando as memórias inconscientes e elevando o índice de depressão e ansiedade

Florianópolis, SC 29/9/2020 – A mente inconsciente registra informações vinculadas a memórias emocionais intensas e traumáticas de vivências familiares ou de antepassados

Letícia Baccin, autoridade em psicogenealogia evolutiva, traz visão importante sobre como transtornos psicológicos podem estar ligados a heranças transgeracionais.

O inesperado surgimento de uma pandemia faz de 2020 um ano atípico. A humanidade acabou se congregando em torno de um mesmo objetivo: o combate ao coronavírus e a busca da sobrevivência. 

É uma situação cujos reflexos vão muito além das mudanças na economia e do comportamento social e que traz à tona a máxima da UNESCO, que diz, “a guerra nasce na mente dos homens e é lá que deve ser combatida”. 

A grande circulação de informações conflitantes, o elevado número de pessoas infectadas com o novo vírus, a perda de pessoas próximas e a insegurança do amanhã são fatores favoráveis a doenças como depressão e ansiedade.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, em março de 2020, um estudo sobre o comportamento da população brasileira durante o período de pandemia. A investigação indicou que os casos de depressão praticamente dobraram entre os entrevistados, bem como a incidência de ansiedade e estresse aumentou 80%. 

 

Um mesmo cenário, diferentes olhares

O contexto de crise sanitária, atrelado ao enclausuramento e a oscilação da economia, estão intensificando dores emocionais e envolvendo pessoas com perfis e idades diferentes. 

Por outro lado, no entanto, há quem encare esse momento, que vem sendo chamado de “novo normal”, como uma chance de ampliar o autoconhecimento. Para essas pessoas, o foco está em entender que o cenário atual é um convite para a evolução, encontrando formas de se tornar um ser humano melhor.

Diante dessa constatação, questiona-se: como explicar, comparando contextos semelhantes, que algumas pessoas estejam menos suscetíveis ao que está acontecendo, enquanto outras vivem dias de desestruturação pessoal e familiar? 

 

A chave fornecida pela Psicogenealogia Evolutiva

Essa é uma questão que passa por refletir de forma profunda em torno das diversas facetas da estrutura psicológica humana. É um campo sobre o qual se debruça a Psicogenealogia Evolutiva, a qual, resumidamente, pode ser conceituada como uma​ ciência dedicada ao estudo das memórias inconscientes (na interpretação da árvore genealógica e seus vínculos inter-relacionais), que estão transcritas epigeneticamente no DNA de cada um. 

Trata-se de uma abordagem que permite entender, mediante a análise da árvore genealógica, pontos de desestrutura familiar e pessoal, conforme explica a psicogenealogista Letícia Kuchockowolec Baccin – uma autoridade neste assunto, no Brasil e nos países de língua portuguesa.

“Epigenética é tudo que ‘acima’ (epi) da genética, e que representa aproximadamente 86% (oitenta e seis por cento) do material genético de um ser humano. É o que anteriormente era considerado o ‘DNA lixo’ ou ‘junk DNA'”, afirma Letícia.

Esses registros genéticos, de acordo ainda com as explicações da especialista, são nada mais nada menos que memórias,​ histórias e vivências de antepassados e membros pertencentes ao clã no qual cada um se insere. 

A também docente da Escola Internacional de Psicogenealogia Evolutiva no Brasil, Letícia Baccin, lembra que a epigenética já é uma ferramenta utilizada por outras áreas de estudo. Recentemente, tem sido mais largamente compreendida, por exemplo, a função desses registros no gerenciamento das relações humanas.

 

O que isso tem a ver com a pandemia?

“O aumento das dissoluções dos casamentos, das crises existenciais, dos suicídios e da depressão, neste momento da pandemia, pode ser explicado mediante a análise da árvore genealógica das pessoas. Isso porque estamos acessando memórias arcaicas”, afirma Letícia Baccin. Isto é, a psicogenealogia traz um olhar distinto aos diferentes estados emocionais que a humanidade vivencia no momento.

É um processo que se dá tendo em vista que o cérebro reptiliano, responsável pelo registro, armazenamento e acionamento dos mecanismos de sobrevivência, roda os programas sem acessar a mente consciente. Isso quer dizer que muitos dos comportamentos que se toma são matrizes dos traumas que já geraram dor, na visão da genealogia.

Muitos antepassados perderam pessoas, bens, território, famílias, desenvolveram enfermidades, passaram fome e vivenciaram lutos mal elaborados, o que configura esses traumas inconscientes. Além disso, esse conjunto de perdas e experiências registradas pelos membros remanescentes possuem, como explica a especialista, um registro de datas e dados. 

A renomada psicóloga e psicoterapeuta francesa, Anne Ancelin Schutzenberger ensina que “o inconsciente tem boa memória; datas e dados lembrarão o passado inconcluso, injusto, irresoluto”.

 

O conteúdo profundo da psique

A psicogenealogia evolutiva, como bem sinaliza Letícia Baccin, entende que as datas de eventos como separações, enfermidades, internações e acidentes já estão registradas no livro familiar, de forma inconsciente. 

Nesta saga familiar, os registros inconscientes são como campos minados. Se o trilho do conflito é acessado, ou seja, ainda que por analogia, este rastro de memórias que deixaram dores e marcas de morte, separações, abandonos, lutos não resolvidos, perdas materiais de todo gênero, suicídios e perdas prematuras. Com isso, instintivamente reage-se de forma primitiva, como em uma cega “defesa” para não sofrer mais com o mesmo fato gerador. 

Isso sem contar que, historicamente, quando e a humanidade se envolveu com um todo por uma causa, direta ou indireta, a sociedade estava passando por transformações. Um processo que se aplica a ocorrência das guerras mundiais ou outras pandemias. 

 

O convite à jornada de reconstrução

Porém, não são as guerras travadas pela humanidade que devem trazer alívio para dores. Como coloca Letícia Baccin: “Trata-se de uma batalha entre a mente inconsciente e a consciente, no sentido de integrar um novo significado aos conflitos”. 

A psicogenealogista ainda explica que uma vivência estressante, inesperada, dramática, sem solução ou sem a capacidade de expressão, é a responsável pelos registros epigenéticos, cabendo a cada um manter-se ou não preso a esse conjunto de memórias.

Letícia explica que a vida é tecida pela soma de vivências que, por fim, constroem um indivíduo, sendo o cimento da psique que há em cada um. Sendo bom ou ruim, tudo o que está em cada ser sempre esteve e estará, salvo se construir uma solução diferente daquela enlaçada ao sistema familiar, pela teia ancestral. 

Buscando tornar-se autor de histórias e de obter entendimento, há maiores chances de pacificar as lutas internas, que atraem personagens externos, chamados de algozes – a fim de finalizar situações de repetição do sistema familiar em que cada um se insere.

Por isso, o conhecimento e entendimento da saga familiar e a disposição de ressignificar as datas traumáticas para o clã familiar é um dos caminhos que podem ajudar pessoas a serem menos suscetíveis a desestrutura pessoal e familiar. E isso pode ser alcançado pelo estudo da árvore genealógica, com as ferramentas fornecidas pela Psicogenealogia Evolutiva.

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