Como duas cidades brasileiras se destacaram entre as 10 mais ‘hipsters’ do mundo

São Paulo, SP 10/9/2020 – Pela primeira vez, fomos capazes de aplicar uma classificação comum às grandes cidades em municípios de pequeno porte.

O Creative Urban Institute tem autoridade para falar do assunto. A organização sem fins lucrativos está sediada na capital ‘hipster’ dos Estados Unidos, Portland, no estado de Oregon, e anunciou na última semana um índice que mede o quanto uma cidade de até 130.000 habitantes tem de ‘cool’. O termo faz referência a uma expressão muito comum na língua inglesa, que pode ser traduzida como ‘legal’ ou ‘descolada’. Os resultados foram divulgados na última semana em formato de um ranking. “Pela primeira vez, fomos capazes de aplicar uma classificação comum às grandes cidades em municípios de pequeno porte”, conta o americano Marcus Salerno, responsável pelo estudo.

O índice, nomeado de ‘coolness index’, analisou 647 municípios de 20 países, com base em 13 pontos ligados ao estilo de vida na era digital. “A pesquisa se baseia no que é valorizado pelos chamados ‘hipsters’. Esse grupo de pessoas é jovem, tem alta escolaridade, é antenado e atua em mercados criativos e de tecnologia digital”. O anúncio trouxe uma ótima surpresa para o Brasil. Entre os 10 locais que compuseram a classificação estão duas cidades brasileiras: Santa Rita do Sapucaí e Tiradentes, ambas localizadas em Minas Gerais.

O resultado do estudo foi destaque nos quatro cantos do mundo e, mesmo durante a pandemia, já impacta os municípios classificados. Paula Dias, empresária de Santa Rita do Sapucaí à frente do café Grandpa Joel’s, mostra-se empolgada com o destaque obtido pela cidade. Ela conta que Santa Rita tem recebido cada vez mais jovens com um estilo de vida moderno e consciente. Segundo a empreendedora, o município vem passando por uma grande transformação nos últimos cinco anos, o que tem gerado impacto positivo no comércio local. “Esse novo perfil que passou a frequentar Santa Rita está cada vez mais em busca de uma experiência que une o que é tendência nas principais metrópoles do mundo com a proximidade à natureza, ao sustentável e ao típico da cidade”, destaca. “Nesse novo cenário, não basta um bom produto ou um estabelecimento confortável e bonito se não existe uma história interessante e real por trás. Nosso café foca na valorização da cultura e na tradição, com toques de design, bom gosto, história e muita qualidade. E tem dado certo”, completa Dias.

Rafael Romancini é outro empreendedor engajado na transformação que levou Santa Rita do Sapucaí ao ranking mundial. À frente do primeiro restaurante exclusivamente especializado em hambúrgueres defumados no Brasil, o Don Rafoni, ele destaca Santa Rita como um lugar diferenciado. “Existe uma atmosfera de inovação com as ‘startups’ e os festivais”, atrativos que, segundo Rafael, “só vemos em países desenvolvidos”. Para o empresário, Santa Rita é terra de oportunidades para se empreender em negócios ‘descolados’. “Vendo tudo isso, pensei, por que não tornar a cidade também conhecida pela gastronomia de qualidade?”. Romancini vem ajudando a disseminar globalmente a fama da cidade, com presença frequente na imprensa internacional quando o assunto é “American BBQ”, ou churrasco americano.

“Santa Rita do Sapucaí tem fama mundial pelo seu ecossistema de inovação, com centenas de empresas de tecnologia, além do HackTown, conferência de impacto internacional que acontece lá”, destaca Salerno. “O diferencial, entretanto, foi o crescente desenvolvimento de projetos criativos, como cafés descolados, mercadinhos de comida orgânica, restaurantes, feiras de rua, arte urbana, eventos culturais, além de presença massiva em postagens no Instagram”, completa. “São critérios assim que fazem com que ‘nômades digitais’, por exemplo, queiram passar dias e até meses em uma cidade pequena”. Sobre Tiradentes, ele comenta que o município já é destino internacional e, com um ranking focado em pequenas cidades, “é natural o seu destaque”. 

Os critérios de análise foram: número de ‘startups’, eventos, cafeterias, microcervejarias, provedores de internet de alta velocidade, disponibilidade de alimentos direto do produtor, estabelecimentos comerciais familiares, densidade de arte de rua, tráfego, educação superior, renda per capita, inflação no preço da moradia e ‘instagramabilidade’, em referência às menções na rede social. “O número geral do que acontece em uma cidade pequena pode parecer irrisório frente ao de uma metrópole, mas quando se considera o percentual em relação ao tamanho da população, os índices das cidades que estão no ranking impressionam”, conclui Salerno, que pretende repetir o estudo anualmente. Santa Rita obteve suas maiores pontuações nos quesitos ‘eventos’ e ‘startups’, enquanto Tiradentes contabilizou sua maior pontuação em presença no Instagram.

Abaixo, a lista, na íntegra, com a pontuação de cada município:

  1. Charleston (Estados Unidos) – 8.737 pontos
  2. Mullumbimby (Austrália) – 8.437 pontos
  3. Oss (Holanda) – 8.285 pontos
  4. Santa Rita do Sapucaí (Brasil) – 7.824 pontos
  5. Chiang Mai (Tailândia) – 7.797 pontos
  6. Boulder (Estados Unidos) – 7.531 pontos
  7. Leuven (Bélgica) – 7.489 pontos
  8. Tiradentes (Brasil) – 7.391 pontos
  9. Truckee (Estados Unidos) – 7.383 pontos
  10. San Miguel de Allende (México) – 7.212 pontos

Website: https://www.bigtimedaily.com/these-10-small-towns-may-become-the-next-work-from-home-destinations/

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