O samba continua resistindo

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O Samba de Resistência é aquele que faz contestação social, política, cultural, simbólica e de matriz africana. A minha coluna vai demonstrar que na origem desses trabalhos que, apesar de serem pouco valorizados pelas mídias de cultura em massa, sempre dialogaram com a sociedade, e ainda fazem provocações, apesar de pressões sociais, mercadológicas e do pouco espaço reservado.

Há uma falsa ideia de que as músicas que vem sendo elaboradas no Brasil tem conteúdos pouco ricos em relação à composição, como se fossem alienadas culturalmente. Há aqueles que desconsideram o samba como instrumento carregado de militância social, afirmando com deboche que o samba só produz modinhas que falam de amor e baladas universitárias. Precisamos entender o fenômeno da marginalização do samba, que por vezes o julgam primitivo. Ele ajudou a construir a chamada música popular brasileira, e até hoje, não encontra o reconhecimento merecido ao sofrer desmerecimento ao adentrar em círculos socioculturais.

Existem inúmeros conteúdos que defendem o samba como instrumento autêntico de contato direto com a origem da cultura popular. De artistas corajosos que por estarem em contato direto com a situação em que o país se encontra ou encontrava tiveram a audácia de inserir temas exóticos dentro de seus trabalhos. Buscar-se descobrir o que pretendiam, quais seus motivos. Refletir o papel que o alcance que tais criações podem ter e aprender como o artista, em sua efêmera ou constante existência, nos possibilitou construir conhecimento ou ao menos ter contato com as inquietações de sua época.

Analisa-se como o samba faz resistência a diversas formas de alienação e demonstra-se como alguns intérpretes sentiam e pensavam o contexto em que estavam inseridos e de que forma praticaram o lado humanitário com projetos sociais. Notar como ele leva consciência através de complexas estruturas, de composição, interpretação, rítmicas, emocionais e sociais. Busca-se compreender o que certas composições querem nos dizer com a inserção de letras repletas de simbolismo contestatório por entre as brechas que possibilitam fazer as mais variadas formas de resistência até ao próprio empregador.

É importante trazer à tona, para o grande público, esse enriquecimento que o samba produziu e continua a trazer. É de grande relevância cultural, política, social o contato com todo este acervo que, não tem ou teve o valor necessário. Muitas pessoas sempre citam os nomes mais conhecidos, talvez não por praticidade, mas por dificuldade em se ter acesso ao material, alguns músicos se quer ficaram com a matriz de seu trabalho guardada.

Dialogar sobre a resistência do samba pode vir a contribuir para a reflexão e quebra de paradigma, e auxiliar na organização destes trabalhos muitas vezes perdidos no cancioneiro popular. Pretendo trazer para um pouco mais perto estas obras as margens da sociedade. Propor ao menos como indicação de consulta para os interessados, possibilitando uma base mínima de pesquisa. Espero que os resultados possam aprofundar e trazer uma nova visão sobre esta temática aumentando a compreensão e dimensão que o samba merece.

Marcelo Veiga