A OITAVA ARTE

imagem: reprodução

Há cem anos homens negros cariocas organizavam-se para a execução de um cortejo musical. Reunidos em prol do samba, propunham cantantes em movimento, vestidos pela mesma bandeira.
A música foi tomando corpo e passou a contar histórias que hoje podemos chamar de enredo.
Cada vez mais organizadas e com maiores contingentes, as “escolas” tiveram que dividir esses grupos em alas. Eram blocos de dez a quinze pessoas vestidas tematicamente e que contavam um pouco da história daquilo que cantavam. Talvez podemos dizer que trata-se de um dos primeiros registros de uma disputa áudio/visual – o carnaval de “avenida”.
Assim, blocos viraram grandes alas e entre elas, alegorias, as baianas mães do samba, adereços e sobretudo o pavilhão – item maioral dentre de uma instituição, ostentado por um casal de Mestre sala e Porta bandeira.
Esse modelo, junto aos grandes espetáculos do mundo como os musicais da Broadway, conquistou o mundo. Hoje os desfiles de escola de samba acontecem em países europeus e asiáticos. É incrível como conseguimos atravessar oceanos e flertar com culturas tão diferentes das nossas.
Isso é fruto e cria brasileira. Orgulho.
Os desfiles brasileiros de carnaval são definitivamente a oitava arte desse planeta.
Somos muito mais do que o pobre Pau-Brasil. Somos criadores de um dos maiores produtos já vistos na era pós Cristo.
Se vamos estar vivos em 2021, ainda não sabemos, mas o carnaval se fará presente para todo o sempre.

Aquiles da Vila