Falso pertencimento

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Qual é o lugar da mulher negra, no Carnaval? Que inclusive ajudou a construir esses espaços. É colocando-as em lugares secundários ou dando-lhes a falsa impressão de pertencimento. E isso acontece porque as estruturas das escolas de samba perpetuam seus privilégios, e não fazem uma reflexão sobre a história, e como foram construídos esses quilombos.

Para contextualizar vamos trazer o caso da cantora Iza, mulher negra, de grande representatividade e que ao ser convidada para estar à frente de uma conceituada bateria do carnaval carioca, evoca para o diálogo uma questão de suma importância que é o privilégio branco. Onde uma escola de samba que há quatro décadas é dirigida por pessoas brancas, e que volta e meia coloca em sua bateria mulheres negras midiáticas.

Vale ressaltar que as meninas das comunidades são preteridas e que o processo de embranquecimento, que está relacionado com o poder aquisitivo, excluiu essas meninas periféricas. No entanto, o caso aqui é mostrar o quanto nossos corpos pretos são utilizados, e muitos não se dão conta que isso é uma construção e perpetuação de poder.

Para entender tais movimentos que nos conservam numa bolha construída para tal narrativa, onde coloca as mulheres pretas do carnaval em determinados lugares, justamente para que não se tenha questionamentos e um levante, que nos cabe, para poder modificar essa narrativa que nos foi vendida e que continuamos a reproduzir. O processo de reparação histórica precisa ser revisto também pelas escolas de samba, já que foram erguidas e organizadas por mulheres negras, em seus alicerces.

Iza, além de ter laços com a comunidade, é uma força, a conexão à altura e nos moldes que queremos e precisamos. Ela também é de muita importância para a luta na construção de uma ponte para outros movimentos necessários dentro das escolas de samba.

E a partir desse incômodo causado por um processo histórico, é que precisamos falar sobre e rever nossos conceitos. E que possamos cada vez mais olhar pela perspectiva preta e assim construir uma narrativa nossa, e não mais acreditar numa única narrativa, que é perigoso, como pontua Sueli Carneiro em seus escritos.

Sigo desejando luz para Iza. Fiz esse texto ano passado para o Matraca Cultural, quis trazê-lo de volta, para refletirmos. Com modificações e já tendo mais perguntas do que respostas. Laroye!

Lyllian Bragança