Documento Marco Aurélio Jangada – Seu sobrenome é “Samba” – 1ª Parte

Acervo familiar

Os ponteiros se arrastam lentamente em mais um domingo frio, o barulho do mecanismo do relógio me faz refletir sobre qual caminho seguir para descrever este que fez muito por onde passou, mas que pouco se acha nas páginas de busca.
Foram dois anos, repleto de busca e muita pesquisa até me defrontar com um vasto conteúdo.
Claro que abracei a ideia e me recordei dos diversos diálogos que tive com meu eterno parceiro de Revista Sampa, Dorinho Marques (in memorian) sobre o homenageado.
Em um universo online, raramente você encontra materiais sobre o samba paulistano, o mesmo carece de mais visibilidade e informação!
Mas reflitam comigo e entendam o peso da responsabilidade de escrever sobre quem com detalhes descreveu sua vida entre letras, sambas,amores e filhos.
Muito complicado!.
Respirei fundo, pensei e por um momento eu mergulhei profundamente no som de um surdo e assim como a canção ele bateu em minha alma.

“Eu bato forte em você

 E aqui dentro do peito uma dor

 Me destrói

 Mas você me entende

 E diz que pancada de amor não dói”
Trecho do samba “O Surdo” composição de: Paulinho Resende / Totonho


E assim hoje eu trago a história de  “Marco Aurélio Barradon Guimarães”, mas para o mundo do samba ele fora o Jangada.
Nascido em 03 de Novembro de 1932 na capital Carioca, filho de Dona Zilda e do Sr. Alberto,  em toda sua juventude o jovem “Marco Aurélio” arquitetou sonhos e pode acompanhar com carinho a sua paixão pelo futebol.
Curioso, inquieto e criativo, logo o universo em sua volta começava a despertar a sua atenção e ele começava a descrever o cotidiano com precisão assimétrica.
Isto lhe credenciou a arriscar e o seu primeiro emprego fora na Tribuna da Imprensa como repórter, no qual ele fazia jornada tripla.
Logo cedo, empunhava sua mala pesada e saia para entregar cartas. 
Devido ao seus 1,90 de Altura e corpo sempre inclinado para um dos lados devido ao sobrepeso da bolsa de correspondência que carregava, ele ganhará o apelido de “Jangada”.
No começo da tarde, ele ainda estava no batente, para dar plantão na redação do Tribuna para escrever como repórter policial.
Durante anos esta fora a sua rotina, até que com muito esmero e trabalho ele fora se qualificando, se moldando, aprendeu novas línguas e se tornou expert em tudo que pode assimilar.
Sua impressionante habilidade na escrita e sua técnica, o elevaram posto a posto até chegar a ascensão profissional e assim ao cargo de chefia.
No início dos anos 70, depois de passagem por diversas editorias na Capital Fluminense com sucesso, ele desembarca em São Paulo, onde reside no Edifício Redondo na Rua da Consolação, próximo ao antigo Teatro de Arena, devido a sua entrada no time da recém lançada Revista Placar.
Nesta época, o centro de São Paulo era efervescente e logo ele se encaixa na realidade malandra da cidade e começa a ter contato com a boemia paulistana e claro, nada melhor que um bom vivant para lhe apresentar as noites madrigais e seu nome era: Plínio Marcos.
Plínio o transformou em ator, músico e ele se aventurou em algumas de suas peças e logo, Plínio Marcos o apresentou ao universo do samba e neste celeiro de bambas, grandes amizades saíram e dentre elas com o compositor Talismã.

https://www.youtube.com/watch?v=KXx6vvXGFhU

Na próxima semana, o segundo capítulo, o mundo descobre o Sambista Jangada!

Diney Isidoro