Armando da Mangueira: Uma tonelada de emoções, samba e poesia

Conheça um pouco mais sobre a vida deste que encantou na avenida”

 

foto Armando da Mangueira com amigo
  • Arquivo Pessoal

*Texto em agradecimento a José Rifai Daguer e a sua família.

 

Vozes foram feitas para eternizar!

Esta poderia ser uma descrição que encaixaria perfeitamente a este sambista, toda construção de seu legado e por todos os caminhos que ele passou o colocariam facilmente em um “Hall da fama do samba”. Particularmente, falar sobre sua pessoa sempre me trouxe alegria e um misto de responsabilidade e respeito pela oportunidade única de eternizar a sua história.

Uma história de vida que poderia ser enredo de escola de samba, um jovem carioca de origem árabe apaixonado pela Estação Primeira de Mangueira que ainda novo perde seu pai, mergulha nos blocos “Senhor dos Passos” e no Bafo da Onça”, sobe o morro de Mangueira, anos depois aporta em São Paulo e com o suor e trabalho consegue unir suas atribuições na região da Rua Vinte e Cinco de Março com o amor pelo carnaval.

E o resultado acaba o levando para Vila Matilde onde ele tinge seu coração de azul e branco. Além dele ser reconhecido pela seu grande amor a Estação Primeira de Mangueira anos depois como: “Embaixador e Comendador da Mangueira” e ter recebido o “Cartão de Prata”,honraria que somente ele, o ex-presidente Geisel e Rei Pelé haviam recebido. Romântico não?

Um enredo repleto de nuances e que poderia ser embalado por uma trilha sonora fascinante. Porém esta é a real história deste apaixonado pelo Corinthians e que deu a honra de mostrar o seu talento por onde passou, seja nos palcos, na avenida ou ao lado de grandes amigos, ele fez com que sua voz chegasse a mais de mil decibéis.

Quando pela primeira vez, o seu filho José Rifai Daguer me deu a incumbência de escrever sobre ele, eu a principio imaginei a tamanha responsabilidade que teria em mãos de eternizar um nome que em minha ótica, já era eternizado. Mas neste mundo online, pouco existia sobre a tua obra e assim fui convidando por amigos como: Douglas Germano, Edleia Santos, Ernesto Teixeira, Márcia Inaya, Marco Antônio da Nenê, entre outros…

Enxerguei dentro de todo aquele conteúdo a oportunidade de me aprofundar ainda mais em uma história que já era rica, e assim consolidar o nome deste sambista cada vez mais.

Nascido e batizado com o nome de Armando José Daguer no ano de 1937, foi com o decorrer dos anos e com seu envolvimento com o carnaval que seu apelido começou a ganhar os becos e vielas da capital fluminense. Através de amigos, ele subiu o morro da Mangueira e bebericou de toda arte e cultura, criou, construiu e explorou todo aquele universo vasto e rico, viver em um solo fértil daquele o inspirou, e com a Banda Acadêmicos do Guanabara ele pode levar tudo o que vivenciou para todos os lugares, ele e sua eterna frigideira.

Como disse em uma oportunidade, utilizando as palavras de Sigmund Freud: “O Pensamento é o ensaio da ação”.

Então novamente eu sentei e observei de que maneira poderia enaltecer o nome deste grande sambista, eu acho que desta vez é como forma de agradecimento. As “Toneladas de Emoções” que você despejou nos ensaios, na avenida e pelos pavilhões que
cantou, puderam me possibilitar a chegar até a escrita.

Hoje eu poderia descrever novamente com carinho toda a sua história, mas eu vou me render apenas a deixar aqui uma parcela de seu imenso talento. Eu vou com apreço e carinho me despedindo desta coluna especial em homenagem a este grande sambista, mas com a sensação de dever cumprido e onde estiver eu agradeço.

Eternamente grato, esta coluna de hoje eu dedico ao mestre com carinho “Armando da Mangueira”.

 

Diney Isidoro