#Vidas Negras Importam?

ilustração João Pedro e George Floyd

Imagem Ilustrativa: João Pedro e George Floyd

Pois é, esse questionamento foi levantado pelo movimento negro, e obviamente por parte de pessoas da sociedade que se sentem incomodas com tal hashtag  #VidasNegrasImportam. Mas os incômodos não são de hoje, não é mesmo? São de anos, séculos, eu diria. Pois todas as vezes que alguém morre na periferia, essa parcela branca, de uma elite dominante, já lança o infortuno de dizer que naqueles ambientes todos são bandidos.

Essa máxima não é de hoje e serviu perfeitamente para colocar de um lado os pobres periféricos, e de outro o Estado que trabalha na perpetuação do poder uma classe que desde a escravidão que está lucrando com os corpos marginalizados, que foram sendo jogado às traças nessas favelas.

Bom, mas já sabemos que ninguém se importa com essas pessoas, já sabemos também que estão usando a hashtag para fingir preocupação, pois quem não luta contra o racismo, perpetua seus privilégios. É o caso do MC Livinho, apontado como autor de uma cena de racismo numa gravação de um clipe. Raielli Leon, contou numa das suas redes sociais que nessa gravação, Livinho, fez alguns comentários racistas, e que apesar do seu incomodo, ninguém a defendeu, ninguém o colocou no seu devido lugar, o que demonstra que o quanto nossa sociedade é racista e machista.

MC Livinho escancara, e não só ele, que o caminho contra o racismo ainda é muito longo, e que muitas pessoas, incluindo artistas, se colocam na luta antirracista, mas na verdade seguem perpetuando o seu status de pessoa branca privilegiada. E só vão parar quando perderem status, e principalmente dinheiro.

Sabemos bem que essa pirâmide social nos coloca em situações cruéis, e cruciais para termos uma vida saudável e com condições de nos mantermos vivos. No entanto, quando observamos o cenário, ele é desolador para as pessoas pretas, independente, inclusive, de classe social. E isso é reflexo de políticas públicas que nos foram preteridas, e essa conduta é proposital, e abrange a maioria da população brasileira. Mas no caso de utilizarmos essa hashtag, além de identificarmos quem de fato faz alguma coisa, podemos também saber quais são as medidas que nossos irmãos, sejam pretos, brancos, índios, quem for, estão tomando.

O mais sensato nesse momento é nos atentarmos para o processo eleitoral que se anuncia. E na narrativa que partidos, e candidatos que estão propondo para o maior eleitorado, que é o de pretos e pardos. Não somente isso, precisamos verificar quem são os brancos que vão votar em pretos, já pensaram nisso? Branco vota em branco, e preto vota em preto, será? Talvez sejam questões equivocadas, com máximas básicas, mas que nos levam para uma forma de racismo institucional que nunca nos demos conta.

Preto não precisa votar em preto, vão dizer alguns. Sim, não têm obrigação. Aliás, o voto é secreto. Mas precisamos olhar para os candidatos negros que aí estão, olhar para aqueles que estão há tempos dialogando e alguns dizem que esse diálogo não chega na periferia, chega, mas o racismo têm dessas coisas, ele se agiganta e se instala nos ouvidos e mentes, que até hoje narram nossas histórias pelo olhar branco.

Por essas e outras que sou mais Adriana Vasconcelos, Leci Brandão, Rosina Conceição de Jesus, Erica Malunguinho, e tantos outros e outras que estão aí, lutando no dia a dia. Porque falar de democracia sem o povo que construiu a base desse país, não é democracia. E nem adianta, que vidas negras só importam para quem realmente se importa.

Artigo de

Lyllian Bragança