O Revoar da Águia Altaneira em respeito ao Baobá

“O último grande suspiro da Nenê de Vila Matilde no Grupo Especial”

 

Imagem: Rede Globo

Dedicado a leitora Silvia Prates

“Poeta falou
Que São Paulo enterrou o samba
Que não tinha gente bamba
E não entendi porque
Fui a barra funda
Fui lá no bexiga
Fui lá na nenê
Me perdoa poeta, mas descordo de você”
Leci Brandão - Me Perdoa Poeta

A cidade que não para, sofria com a falta de água, os reservatórios vazios era o quebra cabeça da sociedade. Torneiras repletas de ar e cabeças cheias de vento em Brasília. E por falar em fortes ventos iguais aqueles que batem sobre as copas das árvores do Parque do Ibirapuera levando folhas ao chão.

Nós recebemos a notícia da partida da talentosa Tomie Ohtake, que fora expoente de nosso país. A economia estava em desaquecimento e o capital estrangeiro minguando, a população se jogando de peito aberto ao crédito. Com expectativa de 2 milhões de carros pegando a estrada, o carnaval dava suas boas vindas ao ano de 2015.

Nos serviços de auto falante, o que mais se comentava era na explosão do carnaval de rua que colocava em ameaça os desfiles das escolas de samba. O reflexo dos altos valores cobrados refletiu na sobra de ingressos na primeira noite e só não fora pior na segunda, pois Gaviões da Fiel e Vai-Vai trouxeram a massa para apoiar.

Cinco anos após a partida do seu grande cacique, o Seu Nenê de Vila Matilde, a escola faz uma imersão as suas origens no qual grandes enredos com temática africana conduziram o azul e branco de seu pavilhão. O tema escolhido foi a Pérola do Índico, Moçambique e toda sua construção histórica.

No carro de som um inspirado Agnaldo Amaral conduzia sua ala musical que estava afiada, a bateria arisca comandada por Mestre Marcão recordava o culungudum tradicional somado a elementos africanos. Na pista, o samba composto por: Afonsinho, Rubens Gordinho, Dedé, D’Malva e Jair Brandão, funcionou positivamente, a fim de apagar o desfile de 2014 que pouco surtiu efeito, a escola investiu pesado em belas alegorias e boas fantasias.

O amanhecer paulistano ressaltou o colorido da escola e de ponta a ponta, a águia guerreira se mostrou imponente, uma altivez que nos remete aos anos de glórias e conquistas. Sua comissão de frente que representava o combate de Marracuene, que fora a primeira investida da colônia portuguesa em solo africano, estava muito bem trajada e o carro abre alas que representava o encontro da águia com o Baobá Sagrado era de rara beleza.

As demais alas e alegorias não deixaram a desejar, um desfile digno da grandeza da escola. Para a imprensa, os grandes destaques foram os desfiles da Vai-Vai e Mocidade Alegre, com duas belas homenagens: a pimentinha Elis Regina e a vibrante atriz e cantora Marília Pêra.

Na apuração, a Nenê flertou com uma boa colocação, ficou próximo até da liderança, mas a cada parcial a aflição tomava conta dos torcedores. O sonho de quebrar a sequência e voltar a um desfile das campeãs (estando no grupo especial) algo que não acontecia desde 2004 não aconteceu.

A perda de pontos nos quesitos: Evolução e Fantasia fez o sonho ficar para um futuro.Quis o destino que este sétimo lugar fosse a última boa colocação da Nenê de Vila Matilde no Grupo Especial. Hoje ficamos com a saudade de quem sabe lá do céu, o Grande Baobá Matildense possa sorrir ao ver sua agremiação voltar ao lado das co-irmãs com um brilho para lá de especial.

Na próxima quinta-feira, iremos falar sobre as lembranças do nosso carnaval.
Quer participar?
Mandem fotos de momentos especiais em nosso carnaval para [email protected] e participem da nossa próxima coluna.
Aguardo vocês!
Axé!!!

Diney Isidoro