Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, uma amizade que se eternizou

 

Amigos desde sempre, os baluartes eram inseparáveis desde moleques

Podemos definir a amizade como um relacionamento social voluntário de intimidade. Algumas bases desse sentimento são a reciprocidade, empatia ajuda mútua, compreensão e confiança. Ela pode ter diversas origens, como o meio em que as pessoas convivem, o trabalho, o colégio, a faculdade, amigos em comum, mas também pode surgir por acaso. Algumas pessoas, inclusive, se chamam de melhores amigos, pois se consideram “irmãos de coração”. Assim era a relação dos personagens desta breve história que iremos recordar.

Geraldo morava nos Campos Elíseos, sua mãe era dona de uma pensão na Rio Branco, ele chamava o Zeca para entregar marmitas feitas pela sua matriarca. Aliás, ambas mães eram amigas e adoravam ir para os bailes juntas. A união deles era tamanha que se consideravam parentes, coisa muito comum na época quando famílias conviviam juntas no cotidiano,

Assim era a amizade de Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, o que fez com que o laço se fortalecesse cada vez mais. Por volta de 1940, o Largo da Banana era reduto de negros, que após o trabalho árduo ou na folga dos mesmos se juntavam para fazer rodas de samba e jogar tiririca. Nesta época os meninos que vendiam marmitas, adoravam parar no Largo para aprender sobre samba e ouvir os mais velhos.

Com 14 anos decidiram formar um grupo de samba só com adolescentes, e juntos decidiram compor um samba contando um causo que tinha ocorrido com outro amigo deles, o Benedito. A letra é uma narrativa da decepção vivida por Bene, quando não deixaram ele comandar uma bateria no carnaval, após ele ter ensaiado arduamente, a letra dizia assim:

Coitado do Benedito, ensaiou o ano inteiro e não vai segurar o apito

Coitado do Benedito, ensaiou o ano inteiro e não vai segurar o apito

Benedito chorou, e ninguém lhe deu bola

Ele deu mancada, foi expulso da escola

Benedito chorou, e ninguém lhe deu bola

Ele deu mancada, foi expulso da escola

Ensaiou o ano inteiro e não vai segurar o apito

Geraldo deu um depoimento certa vez, quando já adulto dizendo, “Zeca da Casa Verde é meu eterno companheiro. Está afastado do samba agora por motivos de saúde, está em casa com esse negócio de diabete. Mas a gente, mesmo com todo esse tempo de vivência, só fizemos um samba juntos”. 

É impossível em apenas um texto narrar a vida e obras desses baluartes, mas essa amizade e parceria desde a infância é um “Conto de Carnaval” que muitos não sabiam ou não se recordavam. Mas jamais podemos nos esquecer do legado que nos deixaram, e o que fizeram com maestria para o nosso samba.

Artigo de

Redação Sampa