A Aldir Blanc, com carinho

Quando morre um letrista, choram todas as melodias.
Choram também Marias e Clarices, Choro eu. Choramos todos os brasileiros.
Entre cantos e chibatas, derramou poesia até inundar nossos porões.
O mestre-sala dos mares foi navegar ao encontro de tantos outros que já fizeram a travessia.

Por muito tempo equilibrou-se na corda bamba de sombrinha, mas agora traja o luto.
Num rabo de foguete, vai mais um daqueles que deixará um hiato em nossa terra de meu Deus.
A partir de hoje as rimas se tornam efetivamente viúvas e, num cortejo musical, os versos o levarão consigo.
Vá meu poeta.
Mas saiba que vais fazer uma falta danada, sobretudo diante de tantas amarguras em tempos sombrios.
Até Aldir. Na boemia, nunca caberá o meio expediente.

 

Aquiles da Vila