DE OLHO NOS QUESITOS #3 – Quem são vocês jurados?

Uma imagem contendo mesa, cheio, muitos, flor

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Vimos que a análise do carnaval é dividida em nove quesitos, cada um com suas particularidades, e a nota final deve ser elaborada sem que haja nenhum tipo de comparação entre os desfiles. Agora a pergunta é: Quem são e de onde vem os julgadores? Como tudo isso começou.

Vamos iniciar essa conversa voltando no tempo, em 1968 o prefeito Faria Lima, aceitou organizar o primeiro desfile das escolas de Samba de São Paulo, claro que os desfiles já aconteciam, promovido por empresários e comerciantes, e acredite, blocos e escolas desfilavam em mais de um concurso, até em cidades diferente, mas esse de 1968 foi o primeiro organizado pela prefeitura de São Paulo.

Para tanto o prefeito solicitou que fosse elaborado um regulamento, o radialista Evaristo de Macedo, grande incentivador do carnaval paulistano foi pessoalmente ao Rio de Janeiro e trouxe o regulamento do carnaval carioca para ser utilizado em São Paulo.

Naquela época os desfiles paulistanos tinham o perfil de cordões, porem não houve tempo para grandes alterações no regulamento e foi adotado o padrão que previa o formato de escolas de samba, assim como já acontecia no Rio de Janeiro, e as entidades tiveram que se adaptar, eis aí a primeira grande influência dos regulamentos nos desfiles, que transformou os grandes blocos e cordões em escolas de samba como conhecemos atualmente.

Com o regulamento pronto, se fez necessário montar uma comissão julgadora, ela foi formada por:

Germano Mathias, cantor,  Hilton Viana, jornalista, Professor Francisco Lucrécio, professor e jornalista, Jair Gonçalves, músico, Agostinho dos Santos, cantor, Raquel Trindade, artista plástica,  Cesar Fernando, compositor e Aurélio Galhardo, músico.

Eles entraram para história do carnaval paulistano, ao julgar os desfiles e definir que a Nenê de Vila Matilde conquistou o título com 183 pontos, A Unidos do Peruche ficou com o vice campeonato com 156 pontos.

Percebe-se analisando a história de cada jurado, que todos tinham envolvimento com o samba e com o carnaval e as suas profissões eram ligadas diretamente a algum dos quesitos analisados.

Hoje essa seleção é feita de forma muito rigorosa, praticamente um “concurso público” ou uma “seleção de emprego”. As principais exigências são: formação na área específica do quesito (musical, plástica ou dança) e não ter nenhum envolvimento com as escolas de samba de São Paulo.

A preparação acontece nos moldes de uma graduação. São realizados diversos cursos, treinamentos, e avaliações especificas para cada quesito, apresentando cada item a ser analisado durante o desfile.

Mas como pode, alguém sem nenhum envolvimento com o carnaval paulistano executar o julgamento? Simples, isenção, assim como um árbitro de futebol não pode ser um ex-jogador, um jurado não pode ser um “ex-componente”, portanto não veremos porta-bandeiras, julgando o quesito, mas teremos sempre alguém formado na área de dança para fazer essa análise.

O grau de conhecimento e isenção dos jurados é o que torna o desfile uma competição imparcial, e aumenta cada vez mais a credibilidade, muito importante nos dias de hoje, onde o carnaval se tornou algo profissional, com investimentos e patrocínios cada vez maiores, que muito provavelmente não existiriam sem essa imparcialidade.

Aos que acreditam nas diversas teorias da conspiração, vale lembrar que nos últimos dez anos, seis escolas diferentes conquistaram o título, e hoje apenas quatro agremiações nunca caíram no carnaval paulistano.

Claro que os erros existem, pois os jurados são seres humanos, mas também muitas vezes a nossa emoção fala mais alto e não conseguimos enxergar com a razão e a precisão do júri, e nem precisamos fazer isso, quem deve usar toda a razão e isenção do regulamento são eles, os escolhidos para definir o campeão, a nós, nos resta torcer e comemorar a cada nota DEZ!

Artigo de ,

Lucas Torres