De olho nos quesitos #2

Julgamento sem comparações!

Continuando a análise do regulamento paulistano, vamos tratar de um tema polêmico: 

O jurado pode comparar uma escola com a outra na hora de aplicar a nota?

Apesar da comparação ser algo inerente ao ser humano, e todos nós espectadores do carnaval fazê-las, o grande debate nas redes sociais após os desfiles sempre apresentam qual escola foi melhor que a outra, deixando acalorado o clima entre as torcidas, será que o julgador pode fazer isso?

A resposta é: “Cabe lembrar que os Julgadores devem isentar-se de emoções e de paixões, exercendo, sempre, um distanciamento crítico, como forma de garantir uma avaliação técnica, com base no entendimento perfeito das diversas partes que integram um quesito, no que se refere aos seus critérios de julgamento.”Manual do julgador 2020, página 3.

Com isso, fica claro que o julgador, deve se atentar a temas mais objetivos e menos subjetivos, por mais estranho que possa parecer, acredite, ele NÃO PODE comparar um desfile com o outro e nem mesmo expressar seus gostos durante a elaboração e justificativas das notas.

Mesmo assim o manual também deixa claro a importância de o julgador usar a sua ponderação e manter o critério durante todas as noites de desfiles, senão bastaria uma simples conferência de itens, para definir as penalidades.

Fica claro ao ler cada um dos pontos de avaliação, e vamos continuar fazendo isso durante a nossa coluna, indo quesito por quesito. Apesar de não ser solicitado, o jurado acaba sendo INDUZIDO a essa análise simplesmente objetiva e sem ponderação, passando essa sensação a todos, o manual não permite comparações, mas pede bom senso e ponderação no momento da avaliação de cada escola.

Mas qual é a sensação que temos ao ver a apuração das notas? A minha é que algumas vezes quem julga tem esquecido dessa ponderação e equilíbrio, utilizando apenas os critérios técnicos. Tornando sim, apesar de não ser o que pede o manual, um simples conferente de item, esquecendo o “todo” do quesito e apenas  tratando-o de forma meramente objetiva, em vez de aplicar notas, estão aplicando multas.

Ao meu ver, concordo que o jurado não pode usar seus gostos pessoais e nem se deixar levar pela emoção, no qual ele deve se atentar apenas ao seu quesito. Mas será que não deveríamos analisar a possibilidade de comparações entre os desfiles, e como fazer? É uma pergunta que serve de reflexão, pois não existe uma fórmula pronta para estes questionamentos.

Para prosseguir as análises do regulamento em nossa próxima coluna veremos: Como a Liga escolhe os julgadores? E como é apresentado o manual do julgador para os mesmos? 

Não percam! 

Artigo de ,

Lucas Torres