Faixa Amarela

Arquivo Pessoal: Odirley Isidoro

Um traço de tinta entre as frisas de concreto rachado e batido, Pintado e tingido de branco e cinza, ele sangra em cores
Raspado, triturado, sofrido A cada centímetro ele guarda sentimentos finitos e ressentidos
Um traço, um passo e um ponto.
Fora o primeiro a nascer naquele amontoado de barro e peroba rosa,Silencioso, discreto
Ele apenas observa e absorve cada um que passa por ali…
Com toda sua representatividade e magia, tem a capacidade de promover lágrimas nos olhos até dos mais fortes e polidos. Lágrimas, estas que ao derramadas sobre ti, se transformam no maior exemplo de efervescência humana.
O ato de foliar, de se expressar e ser feliz, traduzido em gotas!
E ele, esperando um salto no tempo para lhe ver, extrapolar o que está guardado na alma e que o coração não consegue mais conter.
Presa em confetes e serpentinas, repleta de milhões de papéis picadas que salpicam sobre os céus.
Amarras libertas que prendiam a emoção!
Milhares de receios encalacrados sobre os pés que saltam sobre meu traçado, a fim de não mudar a sua sorte.
Gritos e mais gritos libertos, junto a loucura que transcende a forma de existir.
Loucura despertada pelo grito de guerra que ressoa sobre as já cansadas vigas de tantos carnavais.
Olhares perdidos e esperançosos de cada integrante, desejando chegar ansiosamente ao fim, sem romper a barreira do tempo.
Pressa, corre corre e culpa!
Pessoas, alegorias, carro de som.
Emoções!
Alegria, tristeza, gritos e dor…
Felicidades, sorrisos, paixão e amor…
Com o tempo, não envelheço, eu me regenero,
Eu sou assim, eu sou o que sou…
Guardo um pedaço do seu sonho e faço você transbordar quando me transpõem…
O mundo, enfim, se expõem…
Por tempos e tempos, décadas pós décadas
Será que foi tudo ilusão?
O destaque principal é o sorriso no rosto perdendo a razão
É a felicidade em cores singelas, despontando corações
Mas sou apenas um traço, uma linha, uma reta…
Sou aquilo que a tua alma desperta
Apenas uma…

Diney Isidoro