De olho nos quesitos – detalhando as regras da disputa

Foto: Lucas Torres

Enquanto o grande desfile passa no Anhembi, algumas pessoas selecionadas acompanham de uma cabine exclusiva, com a árdua missão de julgar o espetáculo. Afinal, temos um título em disputa e, por mais difícil que seja, alguém precisa definir o campeão. Os jurados, para exercerem a função, recebem treinamento para poderem analisar cada um dos quesitos que compõem o carnaval paulistano. Explicar como a disputa é julgada, será o tema da nossa coluna. Vamos usar esse espaço para apresentar cada um dos nove quesitos, com olhar para os critérios e buscando apresentar com uma outra visão. E o principal: abrir o espaço para debater com você o tema mais polêmico do carnaval: o REGULAMENTO.

O regulamento do carnaval paulistano, sofre alterações quase todos os anos. E antes de cada modificação, a Liga SP faz uma análise e só assim segue para aprovação dos presidentes das escolas. Sim! Os presidentes aprovam o regulamento. Mas, vale ressaltar que, apesar das críticas, ele evoluiu muito e a busca é sempre para ser o mais claro e organizado.

Vamos começar mostrando os pontos que são claros no regulamento. Ele julga, apenas, os nove quesitos, divididos em três módulos: visual, musical e dança.

O módulo visual é composto por três quesitos: enredo, alegorias e fantasias.

O enredo é toda a narrativa do desfile. Deve apresentar o tema escolhido pela agremiação de forma clara e objetiva, usando todos os quesitos para transmitir a mensagem. O carnavalesco é o grande responsável por esse quesito: ele que deve fazer do tema, o grande espetáculo que acompanhamos o ano todo.

As alegorias, ou conjunto alegórico, são julgadas por sua criatividade, elaboração e execução da obra. Elas devem servir para deixar claro o enredo proposto, apresentando a ideia do carnavalesco e ser elaborada com perfeição e riqueza de detalhes. As alegorias sempre causam grande impacto no público, mas devem conquistar os jurados. O carnavalesco e a equipe de barracão são os responsáveis por esse quesito.

As fantasias são os figurinos apresentados no desfile. Elas devem ser analisadas pela concepção, criatividade e uso dos materiais, além da confecção, contando com o capricho no acabamento e nos detalhes. E muito importante: devem estar completas na pista. Nesse quesito as únicas fantasias não avaliadas são: comissão de frente, mestre sala e porta bandeira e as fantasias que estão nas alegorias, essas são avaliadas pelo quesito correspondente. Os responsáveis por esse quesito são as equipes de costura e o carnavalesco.

O módulo musical é formado pela bateria, harmonia e samba enredo.

A bateria é o coração da escola. Sua função é manter a cadência do samba, durante todo o desfile. São analisados o entrosamento e afinação dos instrumentos. As bossas e as paradinhas passaram a ser analisadas, como item de criatividade, em 2020. Os ritmistas são regidos pelo mestre de bateria, principal responsável pelo quesito.

A harmonia é o entrosamento perfeito entre o ritmo e o canto da escola. Os componentes devem formar um grande coral uníssono e cantar com intensidade e empolgação, sempre em sintonia com o samba enredo. O time de canto comanda a harmonia, apesar de não poder ser julgado. O grande responsável por esse quesito são os componentes da escola.

O samba enredo é a música que deve representar o enredo na avenida. Composto por letra e melodia, deve ser a síntese do tema escolhido. Em muitas escolas existe um concurso para a escolha do samba, que movimenta toda a comunidade. Os compositores são os grandes responsáveis por esse quesito.

O módulo dança é formado por: comissão de frente, casal de mestre sala e porta bandeira e evolução.

A comissão de frente é a primeira ala. Deve ser coreografada, com muita sincronia e elegância e tem a função de apresentar a escola e cumprimentar o público. Sempre imponente e comunicativa, cada ano recebe mais atenção e investimento, para causar impacto. As fantasias e o elemento cenográfico (se houver) também são avaliados. O coreógrafo e os componentes são os responsáveis por esse quesito, cada vez mais profissionalizado.

O casal de mestre sala e porta bandeira deve evoluir na pista com graça e elegância. A porta bandeira tem a honra de conduzir o pavilhão da escola e o mestre sala é o seu guardião. Eles não devem sambar e, sim, bailar com postura e movimentos coordenados. A responsabilidade por esse quesito é do primeiro casal da escola, que conduz o pavilhão oficial. Apenas eles e, seus figurinos, são avaliados, podendo ser substituídos durante o desfile, em casos de urgência.

A evolução é a integração da dança e do ritmo dos componentes, que de forma leve e espontânea, devem se apresentar no desfile, sempre respeitando o espaço de sua ala, sem invadir outras alas ou deixar buracos entre elas. O responsável deste quesito é o diretor de harmonia e toda sua equipe.

Cada um dos nove quesitos, foram julgados em 2020, por quatro jurados. Foram quatro notas decimais de 9.0 até 10 e a menor nota foi descartada. Essa parte do regulamento já foi modificada várias vezes e vamos tratar sobre ela também.

O Manual do Julgador, também será apresentado nesta coluna, detalhando as regras do jogo.

Como cada jurado chega a nota final? O que cada escola deve fazer para tirar a nota 10? Quais itens são obrigatórios e podem fazer a escola perder pontos antes da apuração? Vamos responder a essas e outras questões que forem surgindo, portanto, é muito importante a interação de você, leitor, deixando os seus comentários e dúvidas.Para deixar o debate aberto: você sabia que o regulamento não permite comparações entre as escolas? Como assim? É o que vamos mostrar na próxima coluna…

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Lucas Torres