O Carnaval e suas Almôndegas de Ouro

Venham ver para crer

Para crer 

os seus olhos nunca mais verão…

Almôndegas de Ouro — Camisa Verde e branco 1979.

Após mais um carnaval,o mundo do samba recebeu a triste notícia sobre o rebaixamento da Tradicional Escola de Samba Vai-Vai.

Para quem não caminha pelas trilhas do samba a noticia causou surpresa. mas para quem acompanha não causou total espanto perante o ano complicado que a escola enfrentou. Claro o fator surpresa pelo tal resultado foi o tempero para um ano de crise, mas este caminho me fez recordar uma bela história que aconteceu em 25 de Fevereiro de 1979, onde duas mulheres deixaram uma bela mensagem oculta e eu convido a leitura:

Vestes brancas, elegância e opulência.

Com todo Garbo e presença a Porta Bandeira Sueli, impõem com maestria a beleza do Pavilhão da Lavapés.

 Enquanto a Plateia na Avenida Tiradentes aplaude, ela desmaia e seu pavilhão vai ao chão.

A temperatura daquele dia 25 de Fevereiro de 1979 era levemente acalorada, Sueli usava um vestido de veludo vermelho que fora o culpado, para que aquela bela mulata viesse ao chão.

Neste momento quem lhe estende a mão e lhe acalanta é Darcy, Dona de Casa,já senhora que desfilava por 17 anos no Carnaval Paulistano.

Ela estende a mão a Sueli e a acomoda abraçada ao seu pavilhão.

 A Escola começa a entrar na avenida e Darcy recebe a incumbência de substituir Sueli e levar o pavilhão de forma a cortejar a banca julgadora.

Ela respira fundo e estende a mão ao Mestre Sala Eduardo e enfrenta aquela “gélida” passarela.

A Escola demonstrava já o início de sua decadência, com vários problemas em suas alegorias e alas todas desorganizadas.

Com muita garra ela conduz o pavilhão até o fim!

Ao chegar ela declara:

“Gente eu não poderia fazer isso, estou doente, não aguento mais sambar deste jeito, não consigo fazer essas evoluções mas para o público faço graça.”

Ela que tinha Angina, encarou a avenida bravamente e após este memorável momento, desmaiou.

 Uma história surreal, diferente mas que tem uma mensagem forte oculta.

Esta é uma história que apresenta a força para acreditar, se apoiar persistir, e lutar.

Darcy não fez da queda de Sueli uma desculpa e usou como sabiamente para manter um símbolo maior vivo, o seu pavilhão.

A Vaidade muitas vezes ligada ao homem ou a Serpente, não esta presa na imponência da serpente e nem a sagacidade do homem e sim na beleza da maçã, que em sua macieira encanta, seduz e destrói pela cobiça e desejo que desperta no homem para ser mordida.

Assim hoje é o nosso Carnaval, um campo que necessita afastar as vaidades, controlar os egos e ser sagaz para que as escolas venham recuperar seus valores e que em um momento tão conturbado para as escolas Tradicionais (Camisa Verde e Branco, Nenê de Vila Matilde, Unidos do Peruche e Vai-Vai) elas possam reescrever uma nova página em suas histórias.

Axé e muito sucessos as escolas!

Artigo de

Diney Isidoro